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terça-feira, 5 de maio de 2026

 A matéria completa e original foi publicada no site do jornalista Claudio Dantas.



Por que o Banco Central cortou a Selic para 14,50% ao ano?

A resposta curta é porque os juros altos começaram a fazer efeito sobre a economia.

O Copom reconheceu que a atividade econômica segue em trajetória de moderação. Isso quer dizer que a economia brasileira está perdendo fôlego. O crédito livre desacelerou, setores mais sensíveis aos juros estão esfriando e a demanda começa a dar sinais mais claros de acomodação.

Esse é justamente o efeito esperado de uma Selic alta por muito tempo. Com o crédito fica caro, as famílias e empresas tomam menos empréstimos, consomem menos, investem menos e a inflação tende a perder força com alguma defasagem.

O problema é que a desaceleração ainda não foi suficiente para deixar o Banco Central tranquilo – tanto por questões internas do Brasil, quanto por questões externas relacionadas aos EUA e ao Oriente Médio.

A inflação voltou a acender o alerta

O trecho mais importante da ata está na avaliação da inflação. O Copom afirmou que a inflação cheia e as medidas subjacentes aceleraram e se afastaram ainda mais da meta. Medidas subjacentes são indicadores que tentam separar ruídos temporários da tendência mais persistente dos preços.

Em português sem economês: não foi apenas um susto pontual. O Banco Central está enxergando uma inflação mais espalhada e mais resistente do que gostaria.

As expectativas também pioraram. Segundo a ata, o Boletim Focus mostra inflação esperada de 4,9% para 2026 e 4,0% para 2027, ambas acima da meta. Isso é ruim porque, quando empresas, trabalhadores e investidores começam a acreditar que a inflação ficará alta, eles passam a se comportar de um jeito que ajuda a própria inflação a continuar alta.

É isso que o Banco Central chama de desancoragem das expectativas. Existe uma ideia simples por trás desse economês. Isso quer dizer que os participantes do mercado (empresas, famílias, investidores e pessoas em geral) está acreditando menos na volta rápida da inflação para a meta.

A guerra no Oriente Médio virou risco direto para o bolso dos brasileiros

Outro ponto central da ata foi o conflito no Oriente Médio. O Banco Central destacou que a incerteza externa segue elevada e que os efeitos sobre petróleo, commodities, câmbio e preços de ativos exigem cautela de países emergentes como o Brasil.

O risco não é apenas o petróleo subir, mas sim de essa alta se espalhar pela economia pelo preço dos combustíveis, fretes, alimentos, passagens, produtos industriais e, depois, serviços.

Esse espalhamento é o que o Copom chama de efeitos de segunda ordem. Primeiro começa no petróleo, mas termina pressionando vários preços que fazem parte da vida cotidiana das pessoas.

O Banco Central voltou a cobrar responsabilidade fiscal

A ata também repetiu um recado incômodo para o governo Lula: sem disciplina fiscal, fica mais difícil reduzir juros.

O Copom voltou a mencionar o risco do “esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal”, do aumento do crédito direcionado e das incertezas sobre a estabilização da dívida pública. Segundo o Banco Central, esse conjunto pode elevar a taxa de juros neutra da economia e reduzir a potência da política monetária.

Traduzindo do economês: se o governo gasta demais, aumenta a percepção de risco do país. Quando o país parece mais arriscado, investidores exigem juros mais altos para financiar o governo. Isso pressiona a curva de juros, dificulta a queda da Selic e torna o combate à inflação mais custoso.

No fim das contas, irresponsabilidade fiscal não é um problema abstrato do “mercado financeiro”. Ela aparece no financiamento mais caro, no crédito mais difícil, no investimento menor e nos juros altos por mais tempo.

A Selic vai cair de novo na próxima reunião?

Na minha leitura, o cenário-base ainda é de novo corte pequeno de 0,25 ponto percentual, mas a chance de pausa aumentou.

O Copom não deixou uma promessa fechada para a próxima reunião. Pelo contrário, disse que a magnitude e a duração do ciclo de cortes serão definidas ao longo do tempo, conforme novas informações forem incorporadas. O que está correto. Os dados vão nos dizer o que acontecerá.

Ou seja, se a inflação melhorar, as expectativas pararem de subir, o petróleo aliviar e a atividade continuar econômica desacelerando, o Banco Central pode continuar cortando juros aos poucos.

Mas, se a inflação vier forte, o conflito no Oriente Médio piorar, o câmbio depreciar ou as expectativas de 2027 e 2028 continuarem subindo, uma pausa na Selic passa a ser uma hipótese bastante plausível.

O que a Ata do Copom significa para os investimentos?

Para a renda fixa pós-fixada, o ambiente ainda é favorável. A Selic segue muito alta, e o investidor continua recebendo um retorno elevado com baixo risco de mercado.

Para os títulos prefixados e IPCA+, o cenário exige mais cautela. Eles podem se beneficiar se o ciclo de queda de juros continuar, mas também podem sofrer se as expectativas de inflação piorarem ou se a curva de juros voltar a abrir. Eu tenho comprado muitos desses títulos, porém é importante lembrar que eles podem ser tão voláteis quanto a bolsa.

Para a bolsa, a queda da Selic ajuda, mas o ritmo lento limita o entusiasmo que é mais curtoprazista – o que não é o meu caso e dos meus clientes. Juros altos por mais tempo pesam principalmente sobre empresas endividadas, varejo, construção civil e companhias mais dependentes de crescimento futuro.

No câmbio, a Selic elevada ajuda o real, mas não resolve tudo. Guerra, petróleo, incerteza externa e risco fiscal podem pesar mais do que o diferencial de juros.

A ata completa pode ser lida aqui.

sexta-feira, 10 de abril de 2026

 Ao longo do último ano, tive a honra de integrar o Conselho Fiscal da Inepar S/A Industria e Construções em um momento especialmente delicado de sua história.

Desde o início, nossa atuação buscou honrar a confiança depositada por muitos pequenos investidores, que esperavam de nós exatamente isso: um Conselho Fiscal que não fosse figurativo, nem complacente, mas efetivamente comprometido com a transparência, a qualidade da informação contábil e a reconstrução institucional da companhia.



Ao longo desse período, fizemos questionamentos, registramos apontamentos em ata, cobramos esclarecimentos e acompanhamos a evolução das demonstrações financeiras. E alguns avanços concretos passaram a aparecer.

A) Houve melhora no tratamento de contas a receber e de títulos e valores mobiliários que permaneciam há longo tempo sem recebimento, sem atualização adequada e sem baixa contábil compatível com a realidade econômica.

B) O Relatório da Administração passou a apresentar de forma mais clara o contexto atual da empresa, com linguagem mais aderente à situação concreta da companhia.

C) Notas explicativas e o Formulário de Referência foram atualizados em pontos sensíveis, com destaque para partes relacionadas, elevando o nível de transparência para quem analisa a empresa.

D) Também houve mudanças relevantes na gestão do FIDC Taranis, tema que sempre exigiu atenção redobrada.

E) Além disso, ganhou mais visibilidade a composição de despesas relevantes, especialmente na rubrica de "serviços profissionais de pessoa jurídica e física", que carregava valores substanciais sem o nível de detalhamento que o mercado merece.

Ainda há muito a melhorar. Mas transparência, disciplina contábil e governança são pré-condições para qualquer tentativa séria de reconstrução.

Esse movimento ganha ainda mais relevância em uma nova fase da companhia, em que se discute o fortalecimento da governança, inclusive com a proposta de unificação das classes de ações, passo importante para uma estrutura societária mais simples, mais transparente e potencialmente mais aderente, no futuro, aos padrões do Novo Mercado.

Sigo convencido de que conselheiros fiscais independentes, quando exercem de fato o seu papel, podem ajudar a proteger valor, reduzir assimetrias informacionais e fortalecer a confiança do mercado.

Foi esse o espírito do nosso trabalho ao longo deste último ano. Buscamos sempre independência, seriedade e compromisso com a verdade dos números.

Obrigado a todos os acionistas pela confiança em nosso trabalho e obrigado também aos parceiros do Conselho Fiscal do último ano, Luiz West e Gerson Casara.

A quem se interessar, aqui é possível encontrar as atas do Conselho Fiscal da companhia: https://lnkd.in/gv_mHkBx

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quinta-feira, 26 de março de 2026

Ex-vereador do Crato (CE), Francisco Xenofonte Morais (PT), conhecido como Antônio de Mano, foi preso no âmbito da Operação Peso de Ouro, deflagrada pelo Ministério Público do Ceará.


A investigação apura um suposto esquema de corrupção em contratos de coleta de lixo no município, com indícios de pagamentos milionários sem a devida comprovação da execução dos serviços.

O ponto que chama atenção é o timing.

Apenas 5 dias antes da prisão, ele havia sido divulgado publicamente como ganhador de R$ 1 milhão em um sorteio promovido pela plataforma “Pix do Milhão”.

Não há, até o momento, comprovação independente do efetivo pagamento do prêmio, como registro bancário, documento fiscal ou validação por fonte oficial.

Ou seja, temos três fatos:

• houve anúncio público de premiação milionária
• houve prisão em operação por suspeita de corrupção
• não há transparência sobre o pagamento do prêmio

Isso, por si só, não prova qualquer irregularidade no sorteio.

Mas levanta uma pergunta legítima:

quem são, de fato, os “ganhadores”?

Disclaimers: esta matéria jornalística se baseia em informações públicas divulgadas pelo Ministério Público do Ceará e por veículos de imprensa/local. A menção ao prêmio de R$ 1 milhão decorre de divulgação feita pela própria plataforma e por terceiros, não havendo, até o momento, comprovação independente do pagamento. O conteúdo tem caráter informativo e opinativo, não constituindo acusação formal.

terça-feira, 24 de março de 2026

 A ata do Copom publicada nesta terça-feira trouxe duas mensagens centrais. A primeira é que a guerra no Oriente Médio piorou o ambiente externo, elevou a incerteza e contaminou as expectativas de inflação. A segunda é que, mesmo diante desse choque geopolítico, o Banco Central voltou a repetir um recado que Lula e Haddad fingem não ouvir: sem responsabilidade fiscal, o custo para trazer a inflação de volta à meta fica maior e os juros tendem a permanecer altos por mais tempo. O Copom cortou a Selic de 15,00% para 14,75% ao ano, mas optou por um passo cauteloso de 0,25 ponto percentual, sem nos deixar um gostinho fechado para os próximos movimentos.


Esse texto foi originalmente publicado no site Claudio Dantas.

O que motivou o Banco Central a reduzir a Selic de 15% para 14,75% ao ano?

A atividade econômica desacelerou, mas ainda não o suficiente para liberar cortes maiores na Selic

A leitura da conjuntura feita pelo Copom do Banco Central é coerente com os dados recentes. O PIB do 4º trimestre de 2025 ficou praticamente estável, com alta de apenas 0,1% em relação ao 3º trimestre do mesmo ano, sugerindo alguma perda de fôlego depois de um período prolongado de juros muito altos.

Ao mesmo tempo, os indicadores preliminares do início de 2026 não apontam uma economia desabando.

O IBC-Br avançou 0,8% em janeiro na comparação com dezembro, enquanto o mercado de trabalho continua supostamente forte, com uma taxa de desocupação de 5,4%, repetindo o menor patamar da série comparável. Já a inflação corrente vem arrefecendo, mas ainda gera cautela: o IPCA de fevereiro foi de 0,70% e acumulou 3,81% em 12 meses, em um regime cuja meta contínua é de 3,00%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

O duro recado dado no parágrafo 8 da ata do Copom para Lula e Haddad/Durigan

O trecho mais importante da ata, na minha opinião, está novamente no pedaço em que o Copom do Banco Central fala do “esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal”, do “aumento de crédito direcionado” e das “incertezas sobre a estabilização da dívida pública”.

O Banco Central afirma que essa combinação tem potencial para elevar a taxa de juros neutra da economia, enfraquecer a potência da política monetária e aumentar o custo da desinflação em termos de atividade.

Traduzindo do economês arcaico para o bom português que todo mundo entende: com o governo gastando demais, piorando a percepção sobre a dívida, e insistindo em políticas pouco críveis, o país fica financeiramente mais arriscado. A implicação perversa disso é que temos inflação alta, que exige juros mais altos por mais tempo.

O resumo disso tudo é simples: se o governo mantiver as contas públicas sob controle e agir com responsabilidade, o Banco Central consegue combater a inflação com menos sofrimento (juros mais baixos); se não fizer isso, os juros tendem a ficar mais altos por mais tempo e o custo para a economia aumenta. É sofrimento para todo mundo, menos para os políticos cujo único objetivo é se manter no poder.

Efeitos da guerra no Oriente Médio na decisão do Banco Central sobre a Selic

A outra grande novidade da ata está na ênfase dada ao choque geopolítico que causou impacto forte no preço do petróleo.

O Copom registra que as expectativas de inflação vinham em trajetória de declínio até o início dos conflitos no Oriente Médio. Depois disso, elas voltaram a subir e permaneceram acima da meta em todos os horizontes.

O comitê fecha esse raciocínio com uma frase decisiva: em ambiente de expectativas desancoradas, como o atual, é necessária uma restrição monetária maior e por mais tempo do que antes seria apropriado.

Por que a Selic não caiu para 14,50%?

Na minha leitura, o fator mais importante para o Copom ter optado por um corte de 0,25 ponto, e não de 0,50, foi o salto de incerteza entre a reunião de janeiro e a de março dado os conflitos no Oriente Médio.

As "expectativas desancoradas" e o "mercado de trabalho resiliente" já estavam no radar de risco desde MUITO antes.

O que mudou de forma mais relevante foi o ambiente externo. A ata explica que os eventos recentes não impediram o início do ciclo, mas dificultaram a identificação de tendências mais claras. Por isso, o BC preferiu começar cortando menos. Em outras palavras, o Banco Central manteve a disposição de iniciar a flexibilização, mas perdeu confiança suficiente para dar uma largada mais forte.

A Selic subirá na próxima reunião do Copom?

Com relação à próxima reunião, o Copom preferiu repetir a ideia de serenidade e cautela, afirmando que os próximos passos dependerão de mais clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, seus efeitos sobre os preços e também sobre os sinais mistos vindos da atividade e da inflação.

Ou seja, "os dados falarão conosco e nos dirão o que devemos fazer" - como tem que ser!

O viés-base ainda parece ser de continuidade do ciclo, mas em ritmo gradual e sem automatismo. Hoje, a ata parece muito mais compatível com uma pausa ou com novo corte de 0,25 ponto do que com um corte de 0,50.

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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

 O relatório da Snowcap Advisors, repercutido pela Times Brasil, explica que a Patria Investimentos "mantém avaliações infladas para ocultar perdas e garantir a cobrança de taxas".

O ponto mais problemático da denúncia envolve a distribuidora paraibana de medicamentos Elfa, que já cogitou IPO por pelo menos duas vezes nos últimos anos.

- A Patria avalia a Elfa com um múltiplo de 15,6x EV/EBITDA. No entanto, empresas similares listadas no mercado público negociam entre 4x e 6x. Isso representa um prêmio de 500% sobre o valor real de mercado do ativo.

- A realidade operacional da Elfa aponta para uma crise de liquidez severa. Seus títulos de dívida (bonds) são negociados a 50 centavos por dólar. O relatório alega que a empresa é “provavelmente sem valor” no cenário atual.

- Para evitar o reconhecimento de perdas, a gestora teria injetado R$ 1,1 bilhão na Elfa. Esses recursos vieram de empréstimos fora do balanço, ocultando o socorro financeiro dos investidores do fundo principal por meio de SPVs.

Uma outra empresa paraibana do ramo de construção, financiada por uma outra gestora de recursos focada em fundos imobiliários, pode ser alvo de algo parecido, conforme apuração minha.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

 Na minha coluna de estreia no Portal MaisPB, falei sobre o Pix do Milhão e levantei uma pergunta simples, mas incômoda: como uma empresa recém-criada, com capital social de apenas R$ 100 mil, conseguiu promover sorteios milionários em ritmo acelerado, vendendo livros digitais de origem duvidosa para consumidores espalhados por todo o Brasil?


A imagem mostra que o Pix do Milhão não está mais autorizado pela Lotep
Pix do Milhão não é mais autorizado pela Lotep
Agora a investigação avança para um novo patamar!

Segundo reportagem publicada pela Veja, o Ministério Público Federal passou a apurar o uso de uma suposta licença estadual da Paraíba, na Lotep, para viabilizar sorteios e rifas digitais de alcance nacional, o que seria ilegal. 

O foco da apuração é justamente o modelo de negócios adotado por plataformas como o Pix do Milhão, que operam em todo o país amparadas apenas por supostas autorizações locais.

Mas você sabia que o Pix do Milhão, por exemplo, não tem mais autorização da Lotep? Vamos descobrir juntos nas próximas linhas!

 

Lotep não autoriza rifas no Brasil inteiro

Esse é um ponto que precisa ser dito com todas as letras.

A Loteria do Estado da Paraíba (Lotep) não tem poder legal para autorizar rifas, sorteios ou qualquer modalidade lotérica com abrangência nacional.

A Constituição Federal é clara ao atribuir à União a competência exclusiva para legislar e explorar serviços de loteria em todo o país. É o que diz o art. 22, inciso XX: compete privativamente à União legislar sobre sorteios.

 

Promoção comercial não é terra sem lei

A Lei 5.768/1971 estabelece que a AUTORIZAÇÃO FEDERAL será concedida mediante o cumprimento das condições fixadas em regulamento – Decreto 70.951/1972 cumpre a função de regulamentar. Em 2020 a Portaria SECAP 20.749, do Ministério da Fazenda, estabeleceu procedimentos administrativos para esse tipo de promoção comercial, e em 2022 ela foi substituída pela Portaria SEAE 7.638/2022 – e complementada pela Portaria SEAE/ME 7.660/2022.

Inclusive, conforme Nota Técnica SEI MF 338/2025, é proibido o uso de moedas, cifrões e representações de dinheiro nos elementos de divulgação de Promoções Comerciais.

Sendo assim, é preciso que a empresa tenha:

  1. comprovação de capacidade econômico-financeira;
  2. demonstração da origem lícita dos recursos usados nas premiações;
  3. pagamento de taxas de fiscalização;
  4. recolhimento de Imposto de Renda sobre o valor total dos prêmios;
  5. apresentação formal de regulamentos, termos de responsabilidade e demonstrações contábeis.

 

Pix do Milhão não está mais autorizado nem pela Lotep

Há ainda um dado novo e especialmente relevante. As pessoas acreditam que o Pix do Milhão esteja autorizado pela Lotep, mas será que está mesmo? Vejamos.

Consultando os extratos oficiais de autorizações da própria Lotep, no dia 09/01/2026, verifica-se que o Pix do Milhão não consta mais como entidade autorizada. Mais do que isso: os registros indicam que a empresa teve autorização apenas por um período específico e já encerrado, entre março e maio de 2025.

Ou seja, além de não possuir autorização federal para operar nacionalmente, o Pix do Milhão nem sequer está atualmente autorizado pela loteria estadual que costuma citar como fundamento legal.

 

Rifas digitais: transparência não é opcional para quem trabalha fora do limite legal

Se tudo estiver dentro da lei, a melhor resposta que as supostas empresas de rifas digitais podem dar é simples: documentos públicos, autorizações válidas, regras claras e fiscalização efetiva.

Na minha avaliação, o maior problema desse tipo de operação é institucional, porque quando se tenta “forçar” uma licença estadual para cobrir o Brasil inteiro, algo está errado no desenho do negócio.

Em mercados sérios, quem opera com a economia popular precisa aceitar fiscalização, regras duras e transparência total. O resto é aposta. E aposta, no Brasil, continua sendo assunto de lei federal!

P.s.: caso tenha mais curiosidade, clique aqui para checar todas as normas federais que deveriam ser seguidas para se fazer esse tipo de promoção comercial.

Clique aqui para ler minhas resenhas de livros.