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sexta-feira, 10 de abril de 2026

 Ao longo do último ano, tive a honra de integrar o Conselho Fiscal da Inepar S/A Industria e Construções em um momento especialmente delicado de sua história.

Desde o início, nossa atuação buscou honrar a confiança depositada por muitos pequenos investidores, que esperavam de nós exatamente isso: um Conselho Fiscal que não fosse figurativo, nem complacente, mas efetivamente comprometido com a transparência, a qualidade da informação contábil e a reconstrução institucional da companhia.



Ao longo desse período, fizemos questionamentos, registramos apontamentos em ata, cobramos esclarecimentos e acompanhamos a evolução das demonstrações financeiras. E alguns avanços concretos passaram a aparecer.

A) Houve melhora no tratamento de contas a receber e de títulos e valores mobiliários que permaneciam há longo tempo sem recebimento, sem atualização adequada e sem baixa contábil compatível com a realidade econômica.

B) O Relatório da Administração passou a apresentar de forma mais clara o contexto atual da empresa, com linguagem mais aderente à situação concreta da companhia.

C) Notas explicativas e o Formulário de Referência foram atualizados em pontos sensíveis, com destaque para partes relacionadas, elevando o nível de transparência para quem analisa a empresa.

D) Também houve mudanças relevantes na gestão do FIDC Taranis, tema que sempre exigiu atenção redobrada.

E) Além disso, ganhou mais visibilidade a composição de despesas relevantes, especialmente na rubrica de "serviços profissionais de pessoa jurídica e física", que carregava valores substanciais sem o nível de detalhamento que o mercado merece.

Ainda há muito a melhorar. Mas transparência, disciplina contábil e governança são pré-condições para qualquer tentativa séria de reconstrução.

Esse movimento ganha ainda mais relevância em uma nova fase da companhia, em que se discute o fortalecimento da governança, inclusive com a proposta de unificação das classes de ações, passo importante para uma estrutura societária mais simples, mais transparente e potencialmente mais aderente, no futuro, aos padrões do Novo Mercado.

Sigo convencido de que conselheiros fiscais independentes, quando exercem de fato o seu papel, podem ajudar a proteger valor, reduzir assimetrias informacionais e fortalecer a confiança do mercado.

Foi esse o espírito do nosso trabalho ao longo deste último ano. Buscamos sempre independência, seriedade e compromisso com a verdade dos números.

Obrigado a todos os acionistas pela confiança em nosso trabalho e obrigado também aos parceiros do Conselho Fiscal do último ano, Luiz West e Gerson Casara.

A quem se interessar, aqui é possível encontrar as atas do Conselho Fiscal da companhia: https://lnkd.in/gv_mHkBx

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quinta-feira, 26 de março de 2026

Ex-vereador do Crato (CE), Francisco Xenofonte Morais (PT), conhecido como Antônio de Mano, foi preso no âmbito da Operação Peso de Ouro, deflagrada pelo Ministério Público do Ceará.


A investigação apura um suposto esquema de corrupção em contratos de coleta de lixo no município, com indícios de pagamentos milionários sem a devida comprovação da execução dos serviços.

O ponto que chama atenção é o timing.

Apenas 5 dias antes da prisão, ele havia sido divulgado publicamente como ganhador de R$ 1 milhão em um sorteio promovido pela plataforma “Pix do Milhão”.

Não há, até o momento, comprovação independente do efetivo pagamento do prêmio, como registro bancário, documento fiscal ou validação por fonte oficial.

Ou seja, temos três fatos:

• houve anúncio público de premiação milionária
• houve prisão em operação por suspeita de corrupção
• não há transparência sobre o pagamento do prêmio

Isso, por si só, não prova qualquer irregularidade no sorteio.

Mas levanta uma pergunta legítima:

quem são, de fato, os “ganhadores”?

Disclaimers: esta matéria jornalística se baseia em informações públicas divulgadas pelo Ministério Público do Ceará e por veículos de imprensa/local. A menção ao prêmio de R$ 1 milhão decorre de divulgação feita pela própria plataforma e por terceiros, não havendo, até o momento, comprovação independente do pagamento. O conteúdo tem caráter informativo e opinativo, não constituindo acusação formal.

terça-feira, 24 de março de 2026

 A ata do Copom publicada nesta terça-feira trouxe duas mensagens centrais. A primeira é que a guerra no Oriente Médio piorou o ambiente externo, elevou a incerteza e contaminou as expectativas de inflação. A segunda é que, mesmo diante desse choque geopolítico, o Banco Central voltou a repetir um recado que Lula e Haddad fingem não ouvir: sem responsabilidade fiscal, o custo para trazer a inflação de volta à meta fica maior e os juros tendem a permanecer altos por mais tempo. O Copom cortou a Selic de 15,00% para 14,75% ao ano, mas optou por um passo cauteloso de 0,25 ponto percentual, sem nos deixar um gostinho fechado para os próximos movimentos.


Esse texto foi originalmente publicado no site Claudio Dantas.

O que motivou o Banco Central a reduzir a Selic de 15% para 14,75% ao ano?

A atividade econômica desacelerou, mas ainda não o suficiente para liberar cortes maiores na Selic

A leitura da conjuntura feita pelo Copom do Banco Central é coerente com os dados recentes. O PIB do 4º trimestre de 2025 ficou praticamente estável, com alta de apenas 0,1% em relação ao 3º trimestre do mesmo ano, sugerindo alguma perda de fôlego depois de um período prolongado de juros muito altos.

Ao mesmo tempo, os indicadores preliminares do início de 2026 não apontam uma economia desabando.

O IBC-Br avançou 0,8% em janeiro na comparação com dezembro, enquanto o mercado de trabalho continua supostamente forte, com uma taxa de desocupação de 5,4%, repetindo o menor patamar da série comparável. Já a inflação corrente vem arrefecendo, mas ainda gera cautela: o IPCA de fevereiro foi de 0,70% e acumulou 3,81% em 12 meses, em um regime cuja meta contínua é de 3,00%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

O duro recado dado no parágrafo 8 da ata do Copom para Lula e Haddad/Durigan

O trecho mais importante da ata, na minha opinião, está novamente no pedaço em que o Copom do Banco Central fala do “esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal”, do “aumento de crédito direcionado” e das “incertezas sobre a estabilização da dívida pública”.

O Banco Central afirma que essa combinação tem potencial para elevar a taxa de juros neutra da economia, enfraquecer a potência da política monetária e aumentar o custo da desinflação em termos de atividade.

Traduzindo do economês arcaico para o bom português que todo mundo entende: com o governo gastando demais, piorando a percepção sobre a dívida, e insistindo em políticas pouco críveis, o país fica financeiramente mais arriscado. A implicação perversa disso é que temos inflação alta, que exige juros mais altos por mais tempo.

O resumo disso tudo é simples: se o governo mantiver as contas públicas sob controle e agir com responsabilidade, o Banco Central consegue combater a inflação com menos sofrimento (juros mais baixos); se não fizer isso, os juros tendem a ficar mais altos por mais tempo e o custo para a economia aumenta. É sofrimento para todo mundo, menos para os políticos cujo único objetivo é se manter no poder.

Efeitos da guerra no Oriente Médio na decisão do Banco Central sobre a Selic

A outra grande novidade da ata está na ênfase dada ao choque geopolítico que causou impacto forte no preço do petróleo.

O Copom registra que as expectativas de inflação vinham em trajetória de declínio até o início dos conflitos no Oriente Médio. Depois disso, elas voltaram a subir e permaneceram acima da meta em todos os horizontes.

O comitê fecha esse raciocínio com uma frase decisiva: em ambiente de expectativas desancoradas, como o atual, é necessária uma restrição monetária maior e por mais tempo do que antes seria apropriado.

Por que a Selic não caiu para 14,50%?

Na minha leitura, o fator mais importante para o Copom ter optado por um corte de 0,25 ponto, e não de 0,50, foi o salto de incerteza entre a reunião de janeiro e a de março dado os conflitos no Oriente Médio.

As "expectativas desancoradas" e o "mercado de trabalho resiliente" já estavam no radar de risco desde MUITO antes.

O que mudou de forma mais relevante foi o ambiente externo. A ata explica que os eventos recentes não impediram o início do ciclo, mas dificultaram a identificação de tendências mais claras. Por isso, o BC preferiu começar cortando menos. Em outras palavras, o Banco Central manteve a disposição de iniciar a flexibilização, mas perdeu confiança suficiente para dar uma largada mais forte.

A Selic subirá na próxima reunião do Copom?

Com relação à próxima reunião, o Copom preferiu repetir a ideia de serenidade e cautela, afirmando que os próximos passos dependerão de mais clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, seus efeitos sobre os preços e também sobre os sinais mistos vindos da atividade e da inflação.

Ou seja, "os dados falarão conosco e nos dirão o que devemos fazer" - como tem que ser!

O viés-base ainda parece ser de continuidade do ciclo, mas em ritmo gradual e sem automatismo. Hoje, a ata parece muito mais compatível com uma pausa ou com novo corte de 0,25 ponto do que com um corte de 0,50.

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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

 O relatório da Snowcap Advisors, repercutido pela Times Brasil, explica que a Patria Investimentos "mantém avaliações infladas para ocultar perdas e garantir a cobrança de taxas".

O ponto mais problemático da denúncia envolve a distribuidora paraibana de medicamentos Elfa, que já cogitou IPO por pelo menos duas vezes nos últimos anos.

- A Patria avalia a Elfa com um múltiplo de 15,6x EV/EBITDA. No entanto, empresas similares listadas no mercado público negociam entre 4x e 6x. Isso representa um prêmio de 500% sobre o valor real de mercado do ativo.

- A realidade operacional da Elfa aponta para uma crise de liquidez severa. Seus títulos de dívida (bonds) são negociados a 50 centavos por dólar. O relatório alega que a empresa é “provavelmente sem valor” no cenário atual.

- Para evitar o reconhecimento de perdas, a gestora teria injetado R$ 1,1 bilhão na Elfa. Esses recursos vieram de empréstimos fora do balanço, ocultando o socorro financeiro dos investidores do fundo principal por meio de SPVs.

Uma outra empresa paraibana do ramo de construção, financiada por uma outra gestora de recursos focada em fundos imobiliários, pode ser alvo de algo parecido, conforme apuração minha.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

 Na minha coluna de estreia no Portal MaisPB, falei sobre o Pix do Milhão e levantei uma pergunta simples, mas incômoda: como uma empresa recém-criada, com capital social de apenas R$ 100 mil, conseguiu promover sorteios milionários em ritmo acelerado, vendendo livros digitais de origem duvidosa para consumidores espalhados por todo o Brasil?


A imagem mostra que o Pix do Milhão não está mais autorizado pela Lotep
Pix do Milhão não é mais autorizado pela Lotep
Agora a investigação avança para um novo patamar!

Segundo reportagem publicada pela Veja, o Ministério Público Federal passou a apurar o uso de uma suposta licença estadual da Paraíba, na Lotep, para viabilizar sorteios e rifas digitais de alcance nacional, o que seria ilegal. 

O foco da apuração é justamente o modelo de negócios adotado por plataformas como o Pix do Milhão, que operam em todo o país amparadas apenas por supostas autorizações locais.

Mas você sabia que o Pix do Milhão, por exemplo, não tem mais autorização da Lotep? Vamos descobrir juntos nas próximas linhas!

 

Lotep não autoriza rifas no Brasil inteiro

Esse é um ponto que precisa ser dito com todas as letras.

A Loteria do Estado da Paraíba (Lotep) não tem poder legal para autorizar rifas, sorteios ou qualquer modalidade lotérica com abrangência nacional.

A Constituição Federal é clara ao atribuir à União a competência exclusiva para legislar e explorar serviços de loteria em todo o país. É o que diz o art. 22, inciso XX: compete privativamente à União legislar sobre sorteios.

 

Promoção comercial não é terra sem lei

A Lei 5.768/1971 estabelece que a AUTORIZAÇÃO FEDERAL será concedida mediante o cumprimento das condições fixadas em regulamento – Decreto 70.951/1972 cumpre a função de regulamentar. Em 2020 a Portaria SECAP 20.749, do Ministério da Fazenda, estabeleceu procedimentos administrativos para esse tipo de promoção comercial, e em 2022 ela foi substituída pela Portaria SEAE 7.638/2022 – e complementada pela Portaria SEAE/ME 7.660/2022.

Inclusive, conforme Nota Técnica SEI MF 338/2025, é proibido o uso de moedas, cifrões e representações de dinheiro nos elementos de divulgação de Promoções Comerciais.

Sendo assim, é preciso que a empresa tenha:

  1. comprovação de capacidade econômico-financeira;
  2. demonstração da origem lícita dos recursos usados nas premiações;
  3. pagamento de taxas de fiscalização;
  4. recolhimento de Imposto de Renda sobre o valor total dos prêmios;
  5. apresentação formal de regulamentos, termos de responsabilidade e demonstrações contábeis.

 

Pix do Milhão não está mais autorizado nem pela Lotep

Há ainda um dado novo e especialmente relevante. As pessoas acreditam que o Pix do Milhão esteja autorizado pela Lotep, mas será que está mesmo? Vejamos.

Consultando os extratos oficiais de autorizações da própria Lotep, no dia 09/01/2026, verifica-se que o Pix do Milhão não consta mais como entidade autorizada. Mais do que isso: os registros indicam que a empresa teve autorização apenas por um período específico e já encerrado, entre março e maio de 2025.

Ou seja, além de não possuir autorização federal para operar nacionalmente, o Pix do Milhão nem sequer está atualmente autorizado pela loteria estadual que costuma citar como fundamento legal.

 

Rifas digitais: transparência não é opcional para quem trabalha fora do limite legal

Se tudo estiver dentro da lei, a melhor resposta que as supostas empresas de rifas digitais podem dar é simples: documentos públicos, autorizações válidas, regras claras e fiscalização efetiva.

Na minha avaliação, o maior problema desse tipo de operação é institucional, porque quando se tenta “forçar” uma licença estadual para cobrir o Brasil inteiro, algo está errado no desenho do negócio.

Em mercados sérios, quem opera com a economia popular precisa aceitar fiscalização, regras duras e transparência total. O resto é aposta. E aposta, no Brasil, continua sendo assunto de lei federal!

P.s.: caso tenha mais curiosidade, clique aqui para checar todas as normas federais que deveriam ser seguidas para se fazer esse tipo de promoção comercial.

Clique aqui para ler minhas resenhas de livros.


sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

 

No último ano, um modelo de negócios passou a chamar atenção na Paraíba e fora dela: promoções que prometem prêmios elevados em dinheiro, viabilizadas por meio da venda de e-books como um suposto produto principal.

Um dos casos mais emblemáticos, e talvez a rifa digital mais famosa do Brasil, depois que o influencer Buzeira foi tirado de circulação, “PIX do Milhão”.

No caso do PIX do Milhão, do influenciador digital Rafael Cunha, a estrutura parecia ser bem simples, com o consumidor comprando um livro digital e, como “bônus”, recebendo rifas digitais para concorrer a prêmios que podiam chegar a valores milionários.

O problema começou quando se observa que o foco da publicidade, da comunicação e do engajamento do público não estava no conteúdo do livro, mas exclusivamente na possibilidade de ganhar dinheiro por meio do sorteio de rifas que levantam dúvidas sobre o enquadramento legal e a autorização aplicável.

Como Rafael Cunha e o PIX do Milhão gostam de dizer que transformam a vida das pessoas por meio do conhecimento que é vendido nos e-books, vamos começar a descobrir se é isso mesmo o que está por trás do modelo de negócios do PIX do Milhão.

Preparados? A resposta para a pergunta do título é: 03/04/2025 às 10h50. Vem comigo para entender e depois compartilha o texto com seus amigos e familiares!

PIX do Milhão e o uso de e-books como fachada

Do ponto de vista contábil, comercial e econômico, o valor percebido de um produto qualquer é determinante para caracterizar a natureza de uma empresa.

Todavia, como no caso do PIX do Milhão o e-book era tratado apenas como um acessório, sem divulgação midiática dos autores, sem sinopse relevante, sem diferenciação de conteúdo e sem interesse real do público leitor, surge uma pergunta inevitável: o que, na prática, está sendo vendido ao consumidor?

Pergunte a qualquer pessoa que comprou as rifas digitais do PIX do Milhão se elas leram algum dos livros comprados. Ou melhor: pergunte se elas sabiam que eles vendiam livros.

Em diversos materiais analisados, os e-books associados ao PIX do Milhão apresentam características típicas de produtos genéricos, com baixa originalidade e conteúdo amplamente disponível em outras fontes gratuitas ou comerciais. Há, inclusive, indícios objetivos de plágio, com trechos muito semelhantes a textos já publicados anteriormente por terceiros, sem a devida atribuição ou autorização.

Plágio não é apenas um problema ético, mas também compromete a existência jurídica do produto e do negócio do PIX do Milhão como uma empresa que vende livros – o CNPJ deles estava registrado assim desde o primeiro dia de existência deles.

Falo isso como Professor da UFPB, especialista em finanças, mercado financeiro e como autor de 2 livros best-sellers que venderam milhares de cópias e alertam sobre esse tipo de questão.

Se confirmados, esses indícios de plágio fragilizam a legitimidade do produto ofertado. E, mesmo independentemente do plágio, quando o e-book é irrelevante para o consumidor e o prêmio é o atrativo central, surge a dúvida: estamos diante de venda de conteúdo ou de um mecanismo para viabilizar sorteios?

Para piorar a situação, em uma reportagem de 03/04/2025, publicada às 10h50, o respeitado portal TechTudo adiantou que a Receita Federal do Brasil havia informado que o PIX do Milhão poderia estar trabalhando sob uma “autorização irregular”.

 

O PIX do Milhão é uma promoção comercial ou uma loteria disfarçada?

A legislação brasileira é clara ao diferenciar promoções comerciais de jogos de azar. A Lei 5.768/1971 e o Decreto nº 70.951/1972 exigem autorização específica para a distribuição de prêmios, especialmente quando há alcance nacional.

No caso do PIX do Milhão, a empresa afirma operar com autorização da LOTEP, a loteria estadual da Paraíba. Essa informação, por si só, não resolve a principal dúvida jurídica: uma autorização estadual é suficiente para uma operação amplamente divulgada e acessível em todo o território nacional?

Pela legislação citada, há fortes razões para entender que, em operações como a do PIX do Milhão, a autorização deveria ser federal.

Sendo assim, um leitor mais desconfiado poderia questionar: ah, então eles não querem fazer da forma correta porque precisariam de autorização do Ministério da Fazenda e para ter autorização do Ministério da Fazenda, é preciso:

  • Comprovar o pagamento dos impostos;
  • Comprovar que está quite com as obrigações da Previdência Social; e
  • O valor do prêmio distribuído deverá ser baseado no volume de vendas que a empresa faz (“receita operacional”).

Um outro leitor desconfiado, e mais crítico ainda, poderia também questionar: huuum, então eles nunca conseguiriam ter a devida autorização do Ministério da Fazenda, porque a empresa começou com um capital social de R$ 100 mil, conforme dados públicos consultados no dia 03/11/2025, sem ter nenhuma venda (“receita operacional”), e já anunciando prêmios milionários desde o dia do nascimento.

Agora eu pergunto a você, caro leitor: como eles conseguiriam bancar, na primeira semana de atividade operacional, prêmios superiores a R$ 1 milhão, se eles tinham, no máximo, R$ 100 mil no caixa da empresa?

Pois é. Essas questões ainda estão em aberto e pelo bem da economia popular, é preciso que elas sejam respondidas, de modo que afastem qualquer dúvida de que o PIX do Milhão seria uma espécie de nova Braiscompany.

Por que isso importa para a Paraíba?

A Paraíba não pode se tornar um laboratório informal de modelos de negócios que não estão em conformidade com a legislação vigente e colocam a poupança das famílias em risco.

Questionar esse tipo de prática não é perseguição empresarial, muito pelo contrário. É defesa do empresariado que trabalha em conformidade legal e é também defesa do consumidor, do mercado e da própria legalidade.

Quem não lembra que a Braiscompany destruiu a economia popular de Campina Grande e de outras cidades da Paraíba? As pessoas deixaram de consumir localmente ou de investir em negócios que trouxessem o desenvolvimento do estado, para “apostar” num negócio milagroso e ficaram com o prejuízo irrecuperável.

O tema exige atenção das autoridades competentes, incluindo órgãos de defesa do consumidor e instituições de controle, sob pena de repetirmos erros recentes, como o da Braiscompany.

Eu sei que essas coisas demoram, mas é preciso pelo menos alertar a população e exigir respostas do PIX do Milhão. Ou vamos esperar para descobrir na prática, mais uma vez, se o negócio estava nos conformes?

Texto de minha autoria, originalmente publicado no Portal MaisPB.