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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

 O relatório da Snowcap Advisors, repercutido pela Times Brasil, explica que a Patria Investimentos "mantém avaliações infladas para ocultar perdas e garantir a cobrança de taxas".

O ponto mais problemático da denúncia envolve a distribuidora paraibana de medicamentos Elfa, que já cogitou IPO por pelo menos duas vezes nos últimos anos.

- A Patria avalia a Elfa com um múltiplo de 15,6x EV/EBITDA. No entanto, empresas similares listadas no mercado público negociam entre 4x e 6x. Isso representa um prêmio de 500% sobre o valor real de mercado do ativo.

- A realidade operacional da Elfa aponta para uma crise de liquidez severa. Seus títulos de dívida (bonds) são negociados a 50 centavos por dólar. O relatório alega que a empresa é “provavelmente sem valor” no cenário atual.

- Para evitar o reconhecimento de perdas, a gestora teria injetado R$ 1,1 bilhão na Elfa. Esses recursos vieram de empréstimos fora do balanço, ocultando o socorro financeiro dos investidores do fundo principal por meio de SPVs.

Uma outra empresa paraibana do ramo de construção, financiada por uma outra gestora de recursos focada em fundos imobiliários, pode ser alvo de algo parecido, conforme apuração minha.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

 Na minha coluna de estreia no Portal MaisPB, falei sobre o Pix do Milhão e levantei uma pergunta simples, mas incômoda: como uma empresa recém-criada, com capital social de apenas R$ 100 mil, conseguiu promover sorteios milionários em ritmo acelerado, vendendo livros digitais de origem duvidosa para consumidores espalhados por todo o Brasil?


A imagem mostra que o Pix do Milhão não está mais autorizado pela Lotep
Pix do Milhão não é mais autorizado pela Lotep
Agora a investigação avança para um novo patamar!

Segundo reportagem publicada pela Veja, o Ministério Público Federal passou a apurar o uso de uma suposta licença estadual da Paraíba, na Lotep, para viabilizar sorteios e rifas digitais de alcance nacional, o que seria ilegal. 

O foco da apuração é justamente o modelo de negócios adotado por plataformas como o Pix do Milhão, que operam em todo o país amparadas apenas por supostas autorizações locais.

Mas você sabia que o Pix do Milhão, por exemplo, não tem mais autorização da Lotep? Vamos descobrir juntos nas próximas linhas!

 

Lotep não autoriza rifas no Brasil inteiro

Esse é um ponto que precisa ser dito com todas as letras.

A Loteria do Estado da Paraíba (Lotep) não tem poder legal para autorizar rifas, sorteios ou qualquer modalidade lotérica com abrangência nacional.

A Constituição Federal é clara ao atribuir à União a competência exclusiva para legislar e explorar serviços de loteria em todo o país. É o que diz o art. 22, inciso XX: compete privativamente à União legislar sobre sorteios.

 

Promoção comercial não é terra sem lei

A Lei 5.768/1971 estabelece que a AUTORIZAÇÃO FEDERAL será concedida mediante o cumprimento das condições fixadas em regulamento – Decreto 70.951/1972 cumpre a função de regulamentar. Em 2020 a Portaria SECAP 20.749, do Ministério da Fazenda, estabeleceu procedimentos administrativos para esse tipo de promoção comercial, e em 2022 ela foi substituída pela Portaria SEAE 7.638/2022 – e complementada pela Portaria SEAE/ME 7.660/2022.

Inclusive, conforme Nota Técnica SEI MF 338/2025, é proibido o uso de moedas, cifrões e representações de dinheiro nos elementos de divulgação de Promoções Comerciais.

Sendo assim, é preciso que a empresa tenha:

  1. comprovação de capacidade econômico-financeira;
  2. demonstração da origem lícita dos recursos usados nas premiações;
  3. pagamento de taxas de fiscalização;
  4. recolhimento de Imposto de Renda sobre o valor total dos prêmios;
  5. apresentação formal de regulamentos, termos de responsabilidade e demonstrações contábeis.

 

Pix do Milhão não está mais autorizado nem pela Lotep

Há ainda um dado novo e especialmente relevante. As pessoas acreditam que o Pix do Milhão esteja autorizado pela Lotep, mas será que está mesmo? Vejamos.

Consultando os extratos oficiais de autorizações da própria Lotep, no dia 09/01/2026, verifica-se que o Pix do Milhão não consta mais como entidade autorizada. Mais do que isso: os registros indicam que a empresa teve autorização apenas por um período específico e já encerrado, entre março e maio de 2025.

Ou seja, além de não possuir autorização federal para operar nacionalmente, o Pix do Milhão nem sequer está atualmente autorizado pela loteria estadual que costuma citar como fundamento legal.

 

Rifas digitais: transparência não é opcional para quem trabalha fora do limite legal

Se tudo estiver dentro da lei, a melhor resposta que as supostas empresas de rifas digitais podem dar é simples: documentos públicos, autorizações válidas, regras claras e fiscalização efetiva.

Na minha avaliação, o maior problema desse tipo de operação é institucional, porque quando se tenta “forçar” uma licença estadual para cobrir o Brasil inteiro, algo está errado no desenho do negócio.

Em mercados sérios, quem opera com a economia popular precisa aceitar fiscalização, regras duras e transparência total. O resto é aposta. E aposta, no Brasil, continua sendo assunto de lei federal!

P.s.: caso tenha mais curiosidade, clique aqui para checar todas as normas federais que deveriam ser seguidas para se fazer esse tipo de promoção comercial.

Clique aqui para ler minhas resenhas de livros.


sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

 

No último ano, um modelo de negócios passou a chamar atenção na Paraíba e fora dela: promoções que prometem prêmios elevados em dinheiro, viabilizadas por meio da venda de e-books como um suposto produto principal.

Um dos casos mais emblemáticos, e talvez a rifa digital mais famosa do Brasil, depois que o influencer Buzeira foi tirado de circulação, “PIX do Milhão”.

No caso do PIX do Milhão, do influenciador digital Rafael Cunha, a estrutura parecia ser bem simples, com o consumidor comprando um livro digital e, como “bônus”, recebendo rifas digitais para concorrer a prêmios que podiam chegar a valores milionários.

O problema começou quando se observa que o foco da publicidade, da comunicação e do engajamento do público não estava no conteúdo do livro, mas exclusivamente na possibilidade de ganhar dinheiro por meio do sorteio de rifas que levantam dúvidas sobre o enquadramento legal e a autorização aplicável.

Como Rafael Cunha e o PIX do Milhão gostam de dizer que transformam a vida das pessoas por meio do conhecimento que é vendido nos e-books, vamos começar a descobrir se é isso mesmo o que está por trás do modelo de negócios do PIX do Milhão.

Preparados? A resposta para a pergunta do título é: 03/04/2025 às 10h50. Vem comigo para entender e depois compartilha o texto com seus amigos e familiares!

PIX do Milhão e o uso de e-books como fachada

Do ponto de vista contábil, comercial e econômico, o valor percebido de um produto qualquer é determinante para caracterizar a natureza de uma empresa.

Todavia, como no caso do PIX do Milhão o e-book era tratado apenas como um acessório, sem divulgação midiática dos autores, sem sinopse relevante, sem diferenciação de conteúdo e sem interesse real do público leitor, surge uma pergunta inevitável: o que, na prática, está sendo vendido ao consumidor?

Pergunte a qualquer pessoa que comprou as rifas digitais do PIX do Milhão se elas leram algum dos livros comprados. Ou melhor: pergunte se elas sabiam que eles vendiam livros.

Em diversos materiais analisados, os e-books associados ao PIX do Milhão apresentam características típicas de produtos genéricos, com baixa originalidade e conteúdo amplamente disponível em outras fontes gratuitas ou comerciais. Há, inclusive, indícios objetivos de plágio, com trechos muito semelhantes a textos já publicados anteriormente por terceiros, sem a devida atribuição ou autorização.

Plágio não é apenas um problema ético, mas também compromete a existência jurídica do produto e do negócio do PIX do Milhão como uma empresa que vende livros – o CNPJ deles estava registrado assim desde o primeiro dia de existência deles.

Falo isso como Professor da UFPB, especialista em finanças, mercado financeiro e como autor de 2 livros best-sellers que venderam milhares de cópias e alertam sobre esse tipo de questão.

Se confirmados, esses indícios de plágio fragilizam a legitimidade do produto ofertado. E, mesmo independentemente do plágio, quando o e-book é irrelevante para o consumidor e o prêmio é o atrativo central, surge a dúvida: estamos diante de venda de conteúdo ou de um mecanismo para viabilizar sorteios?

Para piorar a situação, em uma reportagem de 03/04/2025, publicada às 10h50, o respeitado portal TechTudo adiantou que a Receita Federal do Brasil havia informado que o PIX do Milhão poderia estar trabalhando sob uma “autorização irregular”.

 

O PIX do Milhão é uma promoção comercial ou uma loteria disfarçada?

A legislação brasileira é clara ao diferenciar promoções comerciais de jogos de azar. A Lei 5.768/1971 e o Decreto nº 70.951/1972 exigem autorização específica para a distribuição de prêmios, especialmente quando há alcance nacional.

No caso do PIX do Milhão, a empresa afirma operar com autorização da LOTEP, a loteria estadual da Paraíba. Essa informação, por si só, não resolve a principal dúvida jurídica: uma autorização estadual é suficiente para uma operação amplamente divulgada e acessível em todo o território nacional?

Pela legislação citada, há fortes razões para entender que, em operações como a do PIX do Milhão, a autorização deveria ser federal.

Sendo assim, um leitor mais desconfiado poderia questionar: ah, então eles não querem fazer da forma correta porque precisariam de autorização do Ministério da Fazenda e para ter autorização do Ministério da Fazenda, é preciso:

  • Comprovar o pagamento dos impostos;
  • Comprovar que está quite com as obrigações da Previdência Social; e
  • O valor do prêmio distribuído deverá ser baseado no volume de vendas que a empresa faz (“receita operacional”).

Um outro leitor desconfiado, e mais crítico ainda, poderia também questionar: huuum, então eles nunca conseguiriam ter a devida autorização do Ministério da Fazenda, porque a empresa começou com um capital social de R$ 100 mil, conforme dados públicos consultados no dia 03/11/2025, sem ter nenhuma venda (“receita operacional”), e já anunciando prêmios milionários desde o dia do nascimento.

Agora eu pergunto a você, caro leitor: como eles conseguiriam bancar, na primeira semana de atividade operacional, prêmios superiores a R$ 1 milhão, se eles tinham, no máximo, R$ 100 mil no caixa da empresa?

Pois é. Essas questões ainda estão em aberto e pelo bem da economia popular, é preciso que elas sejam respondidas, de modo que afastem qualquer dúvida de que o PIX do Milhão seria uma espécie de nova Braiscompany.

Por que isso importa para a Paraíba?

A Paraíba não pode se tornar um laboratório informal de modelos de negócios que não estão em conformidade com a legislação vigente e colocam a poupança das famílias em risco.

Questionar esse tipo de prática não é perseguição empresarial, muito pelo contrário. É defesa do empresariado que trabalha em conformidade legal e é também defesa do consumidor, do mercado e da própria legalidade.

Quem não lembra que a Braiscompany destruiu a economia popular de Campina Grande e de outras cidades da Paraíba? As pessoas deixaram de consumir localmente ou de investir em negócios que trouxessem o desenvolvimento do estado, para “apostar” num negócio milagroso e ficaram com o prejuízo irrecuperável.

O tema exige atenção das autoridades competentes, incluindo órgãos de defesa do consumidor e instituições de controle, sob pena de repetirmos erros recentes, como o da Braiscompany.

Eu sei que essas coisas demoram, mas é preciso pelo menos alertar a população e exigir respostas do PIX do Milhão. Ou vamos esperar para descobrir na prática, mais uma vez, se o negócio estava nos conformes?

Texto de minha autoria, originalmente publicado no Portal MaisPB.