A rejeição de um artigo é o fim da linha? - Contabilidade & Métodos Quantitativos

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sexta-feira, 25 de agosto de 2017

A rejeição de um artigo é o fim da linha?

Muitas pessoas em início de carreira ficam muito decepcionadas quando seus artigos são rejeitados. Eu já fiquei e você provavelmente ficará quando receber a primeira rejeição.

Este post está dividido em duas partes: 1) A rejeição que marcou minha vida e 2) Casos famosos de artigos rejeitados.



1) A REJEIÇÃO QUE MARCOU MINHA VIDA
No meu caso, o que me marcou muito foi a rejeição do artigo da monografia do meu orientando Marcelo Paulo. O artigo era bem simples, mas com uma ideia legal e nova naquele momento. 

Enviamos ao Congresso USP de Contabilidade, para a área de finanças, porém o artigo foi rejeitado na etapa de análise do "Resumo Expandido", por não apresentar nenhuma contribuição para a área (lembro dessas palavras até hoje!). 

Eu fiz textão no Facebook e tudo para comentar sobre isso, foi quando Josué Braga me mandou um artigo que tinha acabado de ser publicado no ahead of print da The Accounting Review, que tratava mais ou menos da mesma ideia que o nosso trabalho - guardadas as devidas proporções.

Após isso, enviamos para o SEMEAD, ganhamos o prêmio de melhor artigo da área e, por força do destino, ganhamos fast track na Revista de Contabilidade & Finanças da USP... e acabamos tendo o artigo publicado na melhor revista do Brasil na nossa área, mesmo sendo rejeitados no congresso da mesma instituição da revista.

Eu fiquei chateado inicialmente, mas rejeitar ou não um artigo, muitas vezes é questão de ponto de vista do revisor e temos que absorver o lado bom e continuar o trabalho. Felizmente conseguimos convencer alguém sobre o artigo. O tema parece não ter ficado muito na moda no Brasil, mas ainda acredito que seja uma área importante para pesquisa.

Aqui está o link do artigo "Assimetria informacional e o preço das ações: análise da utilização das redes sociais no mercado de capitais brasileiro e norte-americano".

P.s.: conversei com o editor da revista, Fabio Frezatti, algumas vezes para entender como ele pensa. Para mim, ele é um dos melhores, senão o melhor editor do Brasil. E eu, como editor, tenho que ver como os bons pensam, para tentar ser tão bom quanto. Pelo que consegui captar, ele tenta encontrar artigos que tenham chances de trazer algo novo.

Apesar de o meu artigo não ter uma metodologia da NASA ou algo do tipo, a ideia era legal, apesar de simples e ele resolveu dar uma chance. Precisamos de mais editores assim!

2) CASOS FAMOSOS DE ARTIGOS REJEITADOS
O Professor Pedro Raffy compartilhou em um grupo que participo de finanças um link sobre 8 artigos científicos que foram rejeitados antes de gerar um Nobel para os seus autores.

Na discussão no grupo, surgiram outras histórias.

Eu comentei sobre o caso de Harry Markowitz, que teve a sua tese inicialmente rejeitada por Milton Friedman (que também é Nobel de Economia) - nas minhas primeiras aula de Finanças I eu sempre comento sobre isso e sobre a autora de Harry Potter, que também foi rejeitada inicialmente.

O Professor Alexandre Ripamonti comentou de Granger e Modigliani e Miller, que também foram rejeitados e depois ganharam Nobel.

No artigo "Some thoughts on the development of cointegration" de Granger, destacou o Professor Ripamonti, ele traz logo na introdução: 

(...) Econometrica rejected the paper for various reasons, such as wanting a deeper theory and some discussion of the testing question and an application. As I knew little about testing I was very happy to accept Rob's offer of help with the revision. I re-did the representation theorem and he produced the test and application, giving a paper by Granger and Engle which evolved into a paper by Engle and Granger, whilst I was away for six months leave in Oxford and Canberra. This new paper was submitted to Econometrica but it was also rejected for not being sufficiently original. I was anxious to submit it to David Hendry's new econometrics journal but Rob wanted to explore other possibilities.

Para finalizar, até o momento em que parei de escrever esse post, o Professor Nakamura comentou sobre o caso de William Sharpe, do CAPM, que comentou em uma entrevista sobre suas rejeições e outros artigos clássicos de finanças que também foram rejeitados, a exemplo de "Market for Lemons" de Akerlof.

Outro caso que não foi discutido no grupo, mas que eu já postei aqui no Blog, é o do clássico artigo de James Ohlson. Leia o post "Ohlson não publicaria seu artigo no Brasil", em que o Professor Fernando Galdi comenta sobre o caso.

A moral da história é a seguinte: não desista após uma ou algumas rejeições. O Nobel ainda está por vir! kkkkk

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