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terça-feira, 24 de março de 2026

Banco Central liga alerta para a guerra no Oriente Médio e volta a cobrar disciplina fiscal de Lula

 A ata do Copom publicada nesta terça-feira trouxe duas mensagens centrais. A primeira é que a guerra no Oriente Médio piorou o ambiente externo, elevou a incerteza e contaminou as expectativas de inflação. A segunda é que, mesmo diante desse choque geopolítico, o Banco Central voltou a repetir um recado que Lula e Haddad fingem não ouvir: sem responsabilidade fiscal, o custo para trazer a inflação de volta à meta fica maior e os juros tendem a permanecer altos por mais tempo. O Copom cortou a Selic de 15,00% para 14,75% ao ano, mas optou por um passo cauteloso de 0,25 ponto percentual, sem nos deixar um gostinho fechado para os próximos movimentos.


Esse texto foi originalmente publicado no site Claudio Dantas.

O que motivou o Banco Central a reduzir a Selic de 15% para 14,75% ao ano?

A atividade econômica desacelerou, mas ainda não o suficiente para liberar cortes maiores na Selic

A leitura da conjuntura feita pelo Copom do Banco Central é coerente com os dados recentes. O PIB do 4º trimestre de 2025 ficou praticamente estável, com alta de apenas 0,1% em relação ao 3º trimestre do mesmo ano, sugerindo alguma perda de fôlego depois de um período prolongado de juros muito altos.

Ao mesmo tempo, os indicadores preliminares do início de 2026 não apontam uma economia desabando.

O IBC-Br avançou 0,8% em janeiro na comparação com dezembro, enquanto o mercado de trabalho continua supostamente forte, com uma taxa de desocupação de 5,4%, repetindo o menor patamar da série comparável. Já a inflação corrente vem arrefecendo, mas ainda gera cautela: o IPCA de fevereiro foi de 0,70% e acumulou 3,81% em 12 meses, em um regime cuja meta contínua é de 3,00%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

O duro recado dado no parágrafo 8 da ata do Copom para Lula e Haddad/Durigan

O trecho mais importante da ata, na minha opinião, está novamente no pedaço em que o Copom do Banco Central fala do “esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal”, do “aumento de crédito direcionado” e das “incertezas sobre a estabilização da dívida pública”.

O Banco Central afirma que essa combinação tem potencial para elevar a taxa de juros neutra da economia, enfraquecer a potência da política monetária e aumentar o custo da desinflação em termos de atividade.

Traduzindo do economês arcaico para o bom português que todo mundo entende: com o governo gastando demais, piorando a percepção sobre a dívida, e insistindo em políticas pouco críveis, o país fica financeiramente mais arriscado. A implicação perversa disso é que temos inflação alta, que exige juros mais altos por mais tempo.

O resumo disso tudo é simples: se o governo mantiver as contas públicas sob controle e agir com responsabilidade, o Banco Central consegue combater a inflação com menos sofrimento (juros mais baixos); se não fizer isso, os juros tendem a ficar mais altos por mais tempo e o custo para a economia aumenta. É sofrimento para todo mundo, menos para os políticos cujo único objetivo é se manter no poder.

Efeitos da guerra no Oriente Médio na decisão do Banco Central sobre a Selic

A outra grande novidade da ata está na ênfase dada ao choque geopolítico que causou impacto forte no preço do petróleo.

O Copom registra que as expectativas de inflação vinham em trajetória de declínio até o início dos conflitos no Oriente Médio. Depois disso, elas voltaram a subir e permaneceram acima da meta em todos os horizontes.

O comitê fecha esse raciocínio com uma frase decisiva: em ambiente de expectativas desancoradas, como o atual, é necessária uma restrição monetária maior e por mais tempo do que antes seria apropriado.

Por que a Selic não caiu para 14,50%?

Na minha leitura, o fator mais importante para o Copom ter optado por um corte de 0,25 ponto, e não de 0,50, foi o salto de incerteza entre a reunião de janeiro e a de março dado os conflitos no Oriente Médio.

As "expectativas desancoradas" e o "mercado de trabalho resiliente" já estavam no radar de risco desde MUITO antes.

O que mudou de forma mais relevante foi o ambiente externo. A ata explica que os eventos recentes não impediram o início do ciclo, mas dificultaram a identificação de tendências mais claras. Por isso, o BC preferiu começar cortando menos. Em outras palavras, o Banco Central manteve a disposição de iniciar a flexibilização, mas perdeu confiança suficiente para dar uma largada mais forte.

A Selic subirá na próxima reunião do Copom?

Com relação à próxima reunião, o Copom preferiu repetir a ideia de serenidade e cautela, afirmando que os próximos passos dependerão de mais clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, seus efeitos sobre os preços e também sobre os sinais mistos vindos da atividade e da inflação.

Ou seja, "os dados falarão conosco e nos dirão o que devemos fazer" - como tem que ser!

O viés-base ainda parece ser de continuidade do ciclo, mas em ritmo gradual e sem automatismo. Hoje, a ata parece muito mais compatível com uma pausa ou com novo corte de 0,25 ponto do que com um corte de 0,50.

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