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segunda-feira, 17 de abril de 2023

Qual pode ser o impacto da tributação da Shein e Shopee nas vendas brasileiras?

Contexto geral da competição do e-commerce brasileiro com a Shein, Shopee e Alibaba

É difícil comparar especificamente as "gigantes do e-commerce asiático" com as nossas Magazine Luiza, Casas Bahia e Americanas, porque a divulgação de informações das três empresas asiáticas (JD.com; Alibaba/Aliexpress; e Sea Ltd/Shopee) é muito limitada. Não conseguimos saber exatamente quanto das vendas delas são para o Brasil e de quais produtos específicos.


Por outro lado, o porte dos negócios é gigantesco. A receita somada dos últimos 12 meses dessas 3 asiáticas foi de aproximadamente US$ 300 bilhões (dados obtidos pela Economatica), com lucro de aproximadamente US$ 6 bilhões (Economatica) – JD.com e Alibaba ficaram com quase 100% da receita total, sendo a Sea Ltd responsável por apenas 4,3%.


Já aqui no Brasil, as nossas varejistas “semelhantes” às 3 asiáticas comparadas (Magazine Luiza, Via, Americanas, Lojas Renner, Guararapes e Cea Modas) faturaram cerca de US$ 25 bilhões nos últimos 12 meses, com lucro de aproximadamente US$ 105 milhões.


Sabendo disso, foi justo o Governo Lula fechar o cerco com relação às importações de pequeno valor, especialmente vindas das 3 gigantes asiáticas?


Minha opinião será apresentada nas próximas linhas. Mas antes disso, que tal conhecer o meu livro "O Investidor em Ações de Dividendos" em uma outra gigante do e-commerce? Estamos nos aproximando das 500 avaliações. Confere aí no link abaixo:



Desempenho da Shopee, Shein e Alibaba vinha melhorando no Brasil

Em 2021 houve um crescimento de 60% no e-commerce cross-border no Brasil (Nielsen-Ebit com a Bexs Pay), o que daria uma receita aproximada de US$ 8 bilhões. A Shopee ficou com 58% das vendas e a Shein com 21%.


Na divulgação dos resultados de 2022, a Sea Ltd informou aos seus acionistas que a unidade de negócios no Brasil continuou a melhorar significativamente.


A Shein vai numa mesma linha, e alguns analistas têm expectativa de que a empresa deva faturar algo próximo dos US$ 3 bi no Brasil em 2023


Se este faturamento da Shein no Brasil se materializar, só as vendas da Shein Brasil farão com que a Shein possa faturar mais do que a Lojas Renner faturou em 2022 com a empresa toda, e mais do que a soma do faturamento da Guararapes e Cea Modas. Seria também pouco menos da metade do faturamento da Magazine Luiza, Via e Americanas.


É muito dinheiro.


Dumping social: e-commerce asiático e concorrentes informais geram disputa injusta com as varejistas brasileiras

Segundo a Associação Brasileira do Varejo Têxtil, a informalidade no Brasil chega a 35% de tudo o que é vendido e o e-commercer cross-border (especialmente o e-commerce asiático da Shein, Shopee e AliExpress) está se aproximando disso. 


Esse fato é um grande problema, considerando os custos de quem faz tudo certo. Shopee (2º), Shein (3º) e AliExpress (4º) estão entre os 10 e-commerces mais usados no Brasil. 1º Lugar é o Mercado Livre.


Muitos e-commerces são acusados de não usar "boas práticas" trabalhistas, chegando a se aproximar muito, para ser conservador, de práticas análogas à escravidão. Além de não pagarem tributos.


Assim fica inclusive fácil de caracterizar essas empresas que praticam preços muito "competitivos" de praticarem "dumping", que é quando uma empresa pratica preços subnormais, de modo a afastar a concorrência. 


No dumping social, pode-se reduzir os preços de venda, por exemplo, não seguindo as melhores práticas trabalhistas que todas as empresas comuns estão sujeitas, conseguindo reduzir o custo de produção e preço de venda, dado que não costumam pagar adequadamente aos seus trabalhadores.


De fato algo precisava ser feito para limitar esse “dumping social” (por risco de "más práticas" trabalhistas, por exemplo) e com a estimativa de arrecadação do governo com esse aperto na tributação das compras internacionais, talvez consigamos chegar a uma aproximação de expectativa de receitas de algo próximo dos US$ 3 bilhões nessas compras internacionais.


O mundo perfeito seria reduzir os tributos do e-commerce nacional, porém isso é praticamente impossível de acontecer num governo mais gastador.


Impacto da tributação das importações de baixo valor no e-commerce brasileiro

Supondo que 35% das vendas por e-commerce no Brasil é informal e não paga tributos, se eventualmente todas as vendas das “importadoras asiáticas”, como Shein e Shopee, se converterem em vendas para as empresas nacionais, teríamos algo em torno de US$ 2,25 bilhões de vendas vindo para o e-commerce formal do Brasil, com contas conservadoras. 


Considerando que Magazine Luiza tem 5% do market share do e-commerce brasileiro, Via/Casas Bahia e Americanas têm 3%, respectivamente, isso aumentaria as receitas dessas 3 companhias em aproximadamente US$ 112 milhões e US$ 68 milhões, respectivamente.


Isso implica dizer que Magazine Luiza, Via e Americanas teriam potencial de aumentar a sua receita em respectivamente 2%, 1% e 1%, em valores aproximados. As contas foram relativamente conservadoras, deixando claro, no sentido de estimação das vendas das gigantes asiáticas aqui no Brasil, porém pessoalmente eu acredito que tem muita compra por impulso que será perdida e muitas compras de coisas com preços muito baixos também serão perdidas, não sendo absorvidas pelas grandes varejistas brasileiras.


Eu gostaria que nossos políticos melhorassem o cenário de tributação das empresas brasileiras, porém isso não acontecerá num governo de cultura gastadora


Eles tenderão a buscar novas formas de arrecadar tributos. 


Uma pena, mas é o que temos para esse momento. 


Caso queira entender o processo de aproximações dos números que foram usados nesse texto, recomendo estudar sobre "fermização de problemas". Comece pelo vídeo abaixo:


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