Vale à pena investir em ações? Comparativo com o CDI de 1998 a 2015 - Contabilidade & Métodos Quantitativos

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terça-feira, 12 de setembro de 2017

Vale à pena investir em ações? Comparativo com o CDI de 1998 a 2015





Recentemente uma consultoria de dados financeiros postou um gráfico comparando o dividend yield (DY)* do Brasil com os EUA, evidenciando que o DY no Brasil tem sido muito baixo.

Analisando o gráfico, percebemos que o investimento esperando receber dividendos nem sequer ganhava da renda fixa (CDI) nos períodos apresentados.

Eu sou um entusiasta de investimentos em ações, então fiquei "encucado" com isso, principalmente porque no projeto em que eu trabalho na UFPB nossa melhor carteira desde o ano passado é a carteira de dividendos  (o projeto é coordenado pelo Professor Sinézio Maia, do Departamento de Economia) (eu sou vice-coordenador do projeto e coordeno a área de valuation). 

Obs.: a carteira foi criada ano passado.

O projeto que eu citei se chama Sala de Ações e está completando 10 anos este ano. Dêem uma conferida no blog do projeto, tem muito material bom!

Antes de tudo: eu sou Professor de avaliação de empresas no Departamento de Finanças e Contabilidade da UFPB. Não sou analista e isso não caracteriza uma recomendação de investimentos.

SOBRE O GRÁFICO DA CONSULTORIA

Antes de entrar na minha análise, eu quero fazer alguns comentários sobre esse gráfico que me motivou a escrever esse post:

1) O estudo citado analisa a série histórica de DY de 1995 a 2017, destacando que o Brasil foi melhor que os EUA entre 1995 e 2015;

2) Eles só consideraram o DY na comparação e, consequentemente, quando comparamos o gráfico com o do CDI, só estaremos comparando o DY, que é a rentabilidade dos dividendos. Contudo, é importante salientar que existem outras duas formas básicas de se ganhar dinheiro com ações de longo prazo:

2.1) Valorização da ação, que gera o ganho de capital; e
2.2) Aluguel de ações. Já que você está investindo pensando no longo prazo e não quer ficar negociando, pode-se colocar as ações para alugar e você ganhar uma taxa de aluguel. Esse é um caso bem extremo, mas eu já cheguei a receber uma taxa de mais de 24% a.a. com aluguel das minhas lindas $MGLU3 (veja aqui), que são as ações da Magazine Luiza.

A desconsideração da valorização das ações e do aluguel poderá não fazer muita diferença para boa parte, senão a maioria, das ações da nossa bolsa, porém, para boas empresas, fará muita diferença.

É isso que pretendo evidenciar na análise que apresentarei logo mais nesse post.

3) Eles consideraram o preço base para o cálculo do DY o final do ano anterior ao pagamento dos dividendos.

O investidor de dividendos compra a ação e segura para obter renda passiva e valorização do capital, como já mencionado.

Se eu comprei uma ação 10 anos atrás, minha base é o investimento que fiz 10 anos atrás, mais os novos aportes que eu faço periodicamente, inclusive para reinvestir os dividendos e aumentar o poder de juros compostos (#ILoveJurosCompostos)... não o preço do ano anterior ao do pagamento do dividendo.

Por isso eles chegaram a um resultado tão alarmante para todos nós que investimentos pensando no longo prazo!

Esse procedimento, dessa forma, exclui os altos DY's e ganhos de capital do investidor de longo prazo.

Lembrando que o investidor de dividendos é, essencialmente, um investidor de longo prazo e não de curto prazo, e a análise apresentada no gráfico é focada apenas no curto prazo.

Feita esta introdução, vamos ao ponto!

ANÁLISE DA RENTABILIDADE DE UMA CARTEIRA DE BOAS PAGADORAS DE DIVIDENDOS


Inicialmente, quero agradecer a Diego Cavalcante e Marcelo Barbosa Junior, que coletaram os dados para que eu pudesse fazer isso. Eles, junto com Felipe Souza, fazem parte da Equipe de Valuation e Dividendos da Sala de Ações.

Os dois primeiros são os responsáveis pela carteira de dividendos de 2017 da Sala de Ações e estão preparando um relatório desse sobre a carteira deles - que é muito melhor do que a "minha" que eu usei aqui nesse post - para divulgar no âmbito da Sala de Ações.

PRESSUPOSTOS DA ANÁLISE

Aqui estão os pressupostos que eu usei para a formação da carteira:
1) Carteira formada pelas 10 melhores ações, conforme critérios estabelecidos previamente por mim;
2) Todos os ativos tiveram o mesmo peso na carteira;
3) Carteira rebalanceada no dia 1º de abril de cada ano;
4) Foram coletadas informações sobre todas as empresas listadas na bolsa em cada ano, com dados da Economatica;
5) Foram excluídas as empresas com DY = 0;
6) Foram excluídas as empresas com ROE < 0;
7)  Não considerei o DY no cálculo do retorno! Só considerei ele para tomar a decisão de incluir ou não a ação na carteira. Os preços estão ajustados para os proventos; e
8) Não informarei as variáveis que utilizo para escolher as ações, pois isso é gosto pessoal e eu não vou dar isso de mãos beijadas para vocês - mas recomendo que cada um estabeleça seu critério racional, com muito estudo e siga a estratégia.

Mas, pelo que eu disse acima, vocês já devem saber (ou ter uma ideia) de que eu usei o DY como critério (histórico e não projetado, mas se eu fosse fazer para minha carteira de verdade, faria projetado - porém fazer isso para todo mundo da bolsa era inviável para mim) e usei também o ROE.

Além disso, usei mais dois indicadores puramente contábeis, que afetam o pagamento de dividendos e desempenho da empresa, e um múltiplo de mercado para tentar "rastrear" a ação "cara" demais para entrar na carteira. 

O que eu gosto de usar mesmo valuation pelo fluxo de caixa descontado, mas era impossível eu fazer uma avaliação dessa para todas as ações da bolsa.

Todavia, quem quiser aprender mais, poderá fazer algum dos cursos da Sala de Ações ou cursar Finanças I (teoria clássica), Finanças II (valuation) e Finanças III (tópicos avançados) comigo na UFPB - ou ficar de olho aqui no blog, pois eu divulgo todos os meus materiais de aula.


RESULTADO DA FORMAÇÃO DAS CARTEIRAS

Apresento abaixo os retornos das carteiras formadas pelas 5 e pelas 10 melhores ações de cada ano. Eu, particularmente, utilizaria a de 10 ativos desde o início, por diversificação, mas optei colocar a de 5 ativos também para comparabilidade e para que possamos verificar um pouco do efeito da diversificação das carteiras.

Inseri também, Tabela 1 abaixo, os retornos das carteiras formadas pelas 5 piores e as 5 melhores ações que passaram pelo filtro inicial. Percebam que mesmo elas sendo as piores ações, segundo os meus critérios, das que passaram pelo filtro do ROE e DY, mesmo assim elas deram um bom retorno no período compreendido entre 1999 e 2015.

Adicionalmente, inseri também o retorno mediano das empresas da amostra (todas as empresas da bolsa, excluindo-se aquelas que não passaram no filtro inicial), o retorno do Ibovespa (índice mais famoso da nossa bolsa) e o retorno anual do CDI, nosso benchmark da renda fixa que geralmente é a alternativa para quem quer renda passiva.

Um disclosure adicional: comecei em 1999 porque de 1995 a 1998 eu precisava ter pelo menos 21 ações que passassem pelo filtro, para fazer o meu experimento (comparar as melhores carteiras com as piores carteiras de pagadoras de dividendos).

Tabela 1 - Retorno anual, média, mediana, desvio-padrão e retorno/risco

Então, meus amigos, mesmo com altos e baixos, minha carteira diversificada de ações com boas perspectivas de pagar dividendos bateu em muito o CDI e o Ibovespa, tanto na média quando na mediana.

Contudo, esse é um investimento que tem mais volatilidade do que uma renda fixa. Mas se você é um investidor fundamentalista de longo prazo, não há muito o que temer. Escolha empresas boas, espere o tempo passar e deixe os juros compostos agirem.

Abaixo, na figura 1, podemos ver o comportamento dos retornos ao longo dos anos

Os últimos anos da série não foram nada fáceis para a bolsa, porém um investidor fundamentalista que percebeu essa queda como uma oportunidade, provavelmente está rindo à toa hoje (vejam as queridinhas $MGLU3, $RADL3 e $CARD3, por exemplo).

Figura 1 - Comportamento dos retornos ao longo dos anos da série histórica

P.s.: o IBRX-100 deu um retorno composto, nesse mesmo período, de 14% ao ano.


EVOLUÇÃO PATRIMONIAL: UMA SIMULAÇÃO COM UMA ÚNICA APLICAÇÃO DE R$ 1.000,00

Para ficar mais claro, vamos fazer uma simulação com apenas uma aplicação de R$ 1.000,00 no início da série (final de R$ 1998).

Não considerei o reinvestimento, nem mesmo os recebimentos de dividendos. 

Considerei apenas o ganho de capital, com preços ajustados aos proventos.

Se considerássemos os dividendos e o seu reinvestimento, o efeito seria muito mais forte, na evolução patrimonial - juros compostos!!

Com base na figura 2, podemos ver que quem aplicou R$ 1.000,00 na carteira com as 10 melhores ações de dividendos daquele ano e rebalanceou anualmente, verificando as 10 melhores empresas de cada ano, transformou aqueles R$ 1.000 investidos no final de 1998 em R$ 109.117,85, em 2015

Isso nos dá um retorno anual composto de algo em torno de 31% ao ano!

No CDI, que nos gera um patrimônio de menos de R$ 10.000,00, o retorno anual seria de 14,50%.

Se olharmos para o Ibovespa, veremos que ele perdeu para o CDI, porém temos que entender que o Ibovespa tem de tudo.

Não se investe (até se investe, mas isso é outra história) no Ibovespa, porque tem muita coisa ruim lá.

Você investe separadamente em empresas boas, pensando no longo prazo e isso te trará bons resultados nos investimentos, conforme demonstramos abaixo.

Figura 2 - Evolução patrimonial

Teste de sensibilidade incluindo 1995, 1996, 1997 e 1998

Incluindo agora os anos que eu havia desconsiderado inicialmente, os resultados se mantém semelhantes, conforme a figura 3 abaixo.

Figura 3 - Teste de sensibilidade


FECHAMENTO

Gostaria que as pessoas que lerem esse post, se gostarem, compartilhem com seus amigos para que eles vejam que vale à pena investir em ações e parem de deixar de ganhar dinheiro por medo. 

Recomendo sempre que procurem um assessor de investimento para te ajudar a escolher bons ativos e fale com ele sobre investir em ações, aos poucos.

É só querer!

Aos que não gostaram, eu gostaria de receber as críticas para poder melhorar esse trabalho. Críticas construtivas são muito bem vindas!




* DY é a rentabilidade do dividendo, obtido por meio da razão entre o dividendo recebido por ação, normalmente em um período de 12 meses, e o preço que se pagou pela ação.

37 comentários:

  1. Primeira pergunta: você está milionário? Pelas suas contas se tivesse investido R$100.000 em 1999, teria R$10 milhões hoje.
    Este critério "Carteira formada pelas 10 melhores ações, conforme critérios estabelecidos previamente por mim" é maravilhoso quando realizado à posteriori.

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    1. Não estou. Em 1998 eu tinha 10 anos. Gostaria de ter investido desde os 10 anos, mas não.

      Infelizmente não temos como prever o futuro, então temos que trabalhar com o passado.

      Então, o que podemos tirar da análise dos dados é que se você seguir critérios fundamentalistas, escolher as empresas, esperar o tempo passar, reanalizar/rebalancear... você pode ter bons resultados.

      Realmente, olhando o passado é mais fácil, porque não temos o fator psicológico, mas análise fundamentalista e o investimento em ações parecem funcionar, não parecem para você?

      Obrigado pelo comentário!

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    2. Concordo com o primeiro comentário. Eu poderia ter investido nesse periodo no grupo X e me lascado. Kkk

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    3. Concordo com o primeiro comentário. Eu poderia ter investido nesse periodo no grupo X e me lascado. Kkk

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    4. Poderia, Anderson!

      Mas se você analisasse os fundamentos do grupo EBX, você não investiria, porque eles não tinham fundamentos.

      Estamos falando nesse post de investimento fundamentalista (empresas com bons números contábeis, investimento de longo prazo e coisas desse tipo que vocÊs já conhecem a história) e não especulação e swing trade de curto prazo.

      Obrigado pelo comentário!

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    5. Anderson, também é bom diversificar. Não é uma boa ideia colocar todo o seu dinheiro em apenas uma ação.

      Veja a diferença do retorno da carteira das 5 melhores ações e das 10 melhores ações.

      Apesar de terem as ações com os melhores fundamentos na Top 5, ela não teve o melhor retorno.

      Diversificação é fundamental.

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    1. Obrigado, Hildário.

      Para quem não sabe, a carteira de Hildário na competição que faço com meus alunos no simulador da bolsa já está rendendo uns 40% neste ano!

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    2. Sou investidor e sigo a análise fundamentalista desde junho 2013 e acho que muitas pessoas não entendem: análise não é para adivinhar futuro e sim para prever na média o desempenho futuro das empresas, porque tudo mais constante, uma não empresa tende a continuar boa e uma má empresas tende a ser péssima. Como não é possível ter certeza diversificados, e quanto ao CDI na lógica não pode ser maior que o retorno médio das empresas no longo prazo, senão todas a empresas deixariam de investir a econimia eclodiria.

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  3. Muito boa análise...parabens!!!

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  4. Luiz,

    Muito bom o post.

    Geralmente as coisas dão certo se a gente quer fazer dar certo então criticar a relação IBOV X CDI pra mim é perda de tempo pois geralmente ninguém tem o IBOV inteiro. Assim como a inflação, o índice de comparativo tem que ser aquele criado por você, com seus gastos ou seus investimentos.

    A diversificação da carteira também mitiga prejuízos de empresas como as X. Mesmo que caia na besteira de comprar sem ter fundamentos, se fizer isso com uma pequena parcela e margem de segurança, não vai destruir seu patrimônio caso a empresa quebre.

    Se quiser passeie pelo meu blog e veja minha carteira diversificada na página " Carteira"

    Www.Buscandooprimeiromilhao.Blogspot.Com.Br

    Abraço!

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    1. Obrigado pelo comentário. Muito legal o seu blog!

      Da sua carteira, BBSE3 e IRBR3 também estão na minha, mas estou reduzindo posição em BBSE3 e aumentando em IRB.

      Valeu!

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  5. alguém disse que poderia ter investido em ogx, sim claro se não analisar balanços, se seguir a modinha da vez (hoje é o bitcoin), se seguir call de corretoras é louca pela corretagem, se seguir o noticiario do jornal nacional, revista exame falando agora é hora de bolsa (nos 70 mil pontos) agora é hora de sair da bolsa ( nos 40 mil)... a escolha é de cada um... vc tem exmplos hoje muito mais claros a ser seguidos e exemplos a não ser seguidos, basta sair da zona de conforto e ver onde os grandes investidores possui investimentos e oque eles fazem... e posso te falar não é muito dificil de errar não... compra empresas que estão consolidadas e quem tem lucros, com endividamento controlado que vc vai se sair bem... abs...

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  6. Muito bom o estudo, passarei a seguir seu blog pretendo "desbravar" todo conteúdo relativo a valuation, dividendos, aplicações etc. Invisto ha 2 anos com muita disciplina, diversificando e buscando aprender cada vez mais sobre as oportunidades dos ciclos da nossa economia. e não tenho dúvida, que basta um pouquinho de dedicação e qualquer um em 10 anos pode ter um patrimônio muito significativo.. Abraço!

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    1. É isso o que eu penso: paciência, não gastar muito dinheiro e um pouco de dedicação.

      Espero que o blog possa te ajudar a alcançar as suas metas!

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  7. Olá, existe a possibilidade de divulgar os nomes das empresas que compõe as carteiras estudadas? Grato!

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    1. Eu comecei a escrever um texto para divulgar as empresas, mas acabei interrompendo isso por causa de outros projetos.

      Estamos trabalhando nessa mesma análise para a carteira de dividendos da Sala de Ações (www.salaacoes.blogspot.com)

      Em breve divulgaremos.

      Curte a nossa fanpage, tanto deste blog quanto da Sala de Ações, que você poderá ter acesso ao trabalho.

      Obrigado pelo comentário!

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    2. P.s.: mesmo que eu tivesse divulgado os nomes das empresas, não seria recomendável investir com base nisso, pois foram informações passadas.

      Não é porque a empresa me deu um bom retorno no passado que ela dará no futuro.

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  8. Ola Luiz excelente o estudo. Voce poderia informar se disponibilizou toda a informacao do conteudo ate o resultado apresentado? Os ultimos 3 anos da sequencia reamente nao apresentaram a carteira como uma boa alternativa, que poderia ser suprida com a diversificacao ou troca de posicao nos investimentos.

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    1. Bom dia, Silmara. Não divulguei as ações. Mas estamos elaborando algo nesse sentido para breve, no projeto Sala de Ações da UFPB.

      Divulgarei por aqui quando estiver pronto.

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  9. O estudo revela que no longo prazo, os investimentos em ações superam com folga o CDI e o Ibovespa, destacando que se deve fazer um bom estudo para que se possa escolher boas empresas, o que demonstra a importância de iniciativas de indivíduos e entidades na disseminação de conhecimento sobre o tema. Desse modo, assim como os investimentos que se beneficiam dos juros compostos no longo prazo, creio que essas iniciativas educacionais também colherão bons frutos, tendo em vista que ao apresentar materiais consistentes e confiáveis, mais indivíduos tenderão a repensar seus investimentos e farão a melhor escolha.
    Um ponto interessante da análise, é que mesmo escolhendo as piores carteiras, ainda se obteve um retorno bem maior do que a CDI ou a Ibovespa, e que quanto mais diversificado melhor o investimento. Em suma, tem-se um estudo esclarecedor e incentivador sobre investimento em ações, salientando que não é um “bicho de sete cabeças”, e que com paciência e dedicação pode-se ter uma melhoria financeira bastante robusta ao se investir em ações, devendo o cidadão brasileiro rever seus conceitos e fundamentos. Parabéns ao Blog e ao Prof. Felipe Pontes, pela iniciativa e pelos materiais disponibilizados sempre atuais, relevantes e confiáveis.

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    1. É isso aí. Obrigado, Leandro!

      Vamos levar essas ideias para Pedras de Fogo! kkk

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  10. Luiz,

    Não me ficou bem claro, o estudo não considera o reinvestimento de dividendos?

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    1. Ronan, exato. Não considerei. Se tivesse considerado, o retorno seria bem maior. Concorrência desleal.

      Mas estamos preparando uma outra análise dessa considerando isso. Será divulgada no blog da Sala de Ações da UFPB em breve.

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  11. Luiz,

    Pelo que entendi, você fazia uma listagem das pagadoras de dividendos com ROE positivo e arbitrariamente (levando em conta o DY) escolhia as ações para compor as carteiras.

    Como você já acompanha o mercado há anos, em sua mente já havia um histórico de empresas de grande valorização nos anos 2000. Será que seu inconsciente não contribuiu para você escolher as ações que mais evoluíram nesses anos e aquelas que não entraram em recuperação judicial?

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    1. Fala, Ronan. Obrigado pelo comentário.

      O filtro inicial era: ter ROE > 0 e ter DY > 0, ou seja a empresa teve lucro e pagou dividendos.

      Isso foi feito todos os anos, eu nem sequer olhei as empresas antecipadamente. Só apliquei os filtros no Excel e fiz o ranking.

      Repeti esse processo todos os anos.

      Depois de repetido o processo anualmente, eu calculei os retornos, também com base no Economatica, e calculei o retorno da carteira a cada ano.

      Após tudo isso, fiz o comparativo.

      A questão é que mesmo as "10 piores" ações da amostra que passaram pelo filtro "ter lucro" e "ter pago dividendo" já ganharam do CDI e Ibovespa.

      Como eu não olhei a priori para as empresas, não houve nenhum viés de seleção inicial nesse sentido.

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    2. Olá Luiz!

      Equívoco da minha parte, eu havia entendido que você tinha escolhido as empresas.

      O resultado é surpreendente, basicamente prova que investir em empresas lucrativas propiciam retornos muito acima do CDI.

      O mais surpreendente é o retorno de ~ 30% a 40% mesmo sem reinvestir os dividendos.

      Parabéns pelo trabalho, esse estudo irá contribuir muito para educação financeira desse país e a criação de um mercado de capitais mais forte! Eu vou compartilhar sempre com meus alunos!

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    3. Tranquilo. Você dá aula de quê e onde? Qlq coisa, me manda um email que vamos trocando informações.

      Valeu!

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  12. Luiz Felipe, boa noite! Nesse caso eu poderia aplicar algum teste estatístico para "fortalecer" os resultados? O que seria interessante? Abraço

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    1. Poderia sim. Aí teria que ver o que você quer testar. Mas existem vários artigos sobre isso. Tem um que deve ser publicado em breve em uma boa revista. Divulgarei aqui no blog quando ele for publicado.

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    2. Aqui está o estudo:

      http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_abstract&pid=S1519-70772018000300452&lng=en&nrm=iso&tlng=pt

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    3. PALAZZO, Vitor; SAVOIA, José R. F.; SECURATO, José Roberto and BERGMANN, Daniel Reed. Análise de carteiras de valor no mercado brasileiro. Rev. contab. finanç. [online]. 2018, vol.29, n.78, pp.452-468. Epub July 16, 2018. ISSN 1519-7077. http://dx.doi.org/10.1590/1808-057x201804810.

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    4. Parabéns pela atenção com o Blog professor, comecei a lê-lo agora e estou achando os comentários e respostas tão interessantes quanto o próprio conteúdo!

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    5. Obrigado, Caio. Fica ligado nas nossas redes sociais que sempre atualizamos vocês por lá!

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