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quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Baruch Lev sobre o uso do EBITDA pelos analistas e investidores




Esta semana o Professor da New York University, Baruch Lev, postou em seu blog um texto com 7 coisas para fazer e não fazer para melhorar sua performance nos investimentos.

Dentre as 7 coisas, ele comentou sobre o seguinte sobre o EBITDA (lucro antes dos juros, tributos, depreciação e amortização):

For reasons that were never clear to me, many analysts focus on EBITDA (earnings before interest, taxes, depreciation and amortization) as a proxy for cash flows. But this is a poor proxy (what about all the non-cash expenses beyond depreciation?), and without any supporting evidence. In any case, why use a proxy for cash flows if you have the full cash flow statement quarterly reported by companies?

Comentários meus sobre o uso do EBITDA como aproximação do Fluxo de Caixa

Em resumo, o Professor Lev diz que o EBITDA é uma proxy (aproximação) muito fraca para o fluxo de caixa. Além disso, o que mais me intriga é a segunda parte do comentário, em que ele se questiona: por que usar uma proxy para fluxo de caixa, quando NÓS TEMOS O PRÓPRIO FLUXO DE CAIXA?

Claro que o fluxo de caixa "puro" pode ser mais volátil do que uma proxy dele baseada em accruals (ajustes contábeis para atender ao regime de competência) e isso poderia atrapalhar um pouco, ou dificultar, as projeções de analistas. 

Já para algumas empresas, o EBITDA pode ser uma métrica muito mais "bonita" de se reportar, por ser mais fácil de gerar números melhores - com seus ajustes.

Quando eu postei esse link do blog do Professor Lev no Twitter, o usuário Gutenberg Neto comentou que Warren Buffett já alertava sobre o uso do EBITDA desde a década de 1990, pelo menos:

Até eu mesmo já postei aqui no blog sobre os grandes ajustes que as empresas fazem no EBITDA para deixá-lo mais bonito. Percebam que uma das variações do gráfico abaixo chega a mais de 50%, do EBITDA regulado para o não regulado pela CVM:

Descrição da imagem #PraCegoVer : Gráfico com o título "Variação do EBITDA (anterior x regulado). Abaixo do título estão os endereços do Instagram e Twitter do autor do post @felfelipepontes e o endereço do canal do Youtube /contabilidademq. O gráfico apresenta as variações do EBITDA Regulado pela CVM e não regulado. Uma das empresas chegou a apresentar o EBITDA não regulado mais de 50% maior do que o regulado pela CVM.


Leia mais sobre EBITDA aqui no blog:



Post no Instagram sobre isso, com alguns comentários adicionais de outras pessoas:

3 comentários:

  1. Felipe,

    Boa sua postagem. Minha opinião é que o Ebitda deveria ser igual remédio de farmácia, com uma grande recomendação: use por sua conta e risco.

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    1. Boa, Professor. Dava até para fazer uma montagem de propaganda de remédio kkkkk

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  2. Comentário de Gutenberg lá no Facebook, sobre a primeira referência que ele encontrou de Buffett sobre o EBITDA:

    Por curiosidade resolvi buscar a primeira referência direta que encontrei do Buffett falando sobre EBITDA (chamado na época de "EBDIT", em 1989:

    "Soon borrowers found even the new, lax standards intolerably
    binding. To induce lenders to finance even sillier transactions,
    they introduced an abomination, EBDIT - Earnings Before
    Depreciation, Interest and Taxes - as the test of a company's
    ability to pay interest. Using this sawed-off yardstick, the
    borrower ignored depreciation as an expense on the theory that it
    did not require a current cash outlay.

    Such an attitude is clearly delusional. At 95% of American
    businesses, capital expenditures that over time roughly
    approximate depreciation are a necessity and are every bit as
    real an expense as labor or utility costs. Even a high school
    dropout knows that to finance a car he must have income that
    covers not only interest and operating expenses, but also
    realistically-calculated depreciation. He would be laughed out of
    the bank if he started talking about EBDIT.

    Capital outlays at a business can be skipped, of course, in
    any given month, just as a human can skip a day or even a week of
    eating. But if the skipping becomes routine and is not made up,
    the body weakens and eventually dies. Furthermore, a start-and-
    stop feeding policy will over time produce a less healthy
    organism, human or corporate, than that produced by a steady
    diet. As businessmen, Charlie and I relish having competitors who
    are unable to fund capital expenditures.

    You might think that waving away a major expense such as
    depreciation in an attempt to make a terrible deal look like a
    good one hits the limits of Wall Street's ingenuity. If so, you
    haven't been paying attention during the past few years.
    Promoters needed to find a way to justify even pricier
    acquisitions. Otherwise, they risked - heaven forbid! - losing
    deals to other promoters with more "imagination."

    So, stepping through the Looking Glass, promoters and their
    investment bankers proclaimed that EBDIT should now be measured
    against cash interest only, which meant that interest accruing on
    zero-coupon or PIK bonds could be ignored when the financial
    feasibility of a transaction was being assessed. This approach
    not only relegated depreciation expense to the let's-ignore-it
    corner, but gave similar treatment to what was usually a
    significant portion of interest expense. To their shame, many
    professional investment managers went along with this nonsense,
    though they usually were careful to do so only with clients'
    money, not their own. (Calling these managers "professionals" is
    actually too kind; they should be designated "promotees.")"

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