Perguntas sobre a prova para analista fundamentalista da APIMEC (CNPI) - Contabilidade & Métodos Quantitativos

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sexta-feira, 23 de março de 2018

Perguntas sobre a prova para analista fundamentalista da APIMEC (CNPI)

QUEM PREFERIR NÃO LER ESSE TEXTO, MAS ASSISTIR AO VÍDEO SOBRE O ASSUNTO CLIQUE AQUI.

Semana passada saiu o resultado da segunda etapa da prova da APIMEC para analista fundamentalista (CNPI) e eu fui aprovado.

Conforme eu divulguei nas redes sociais, quero dar uma pequena ajuda a outras pessoas que queiram passar na prova para CNPI, compartilhando a minha experiência.

Por isso pedi para que me enviassem algumas perguntas.

Quem ainda não sabe o que é um analista e para quem não sabe o que um analista com CNPI faz, clique aqui.

Para saber como se inscrever na prova, ver o edital/manual do candidato etc, clique aqui.









Esse final de semana gravarei os vídeos respondendo às perguntas e divulgarei ao longo da semana. Se você ainda não me enviou uma pergunta, aproveita essas últimas horas.

Para quem ainda não é inscrito, recomendo que se inscreva em nosso canal do Youtube, o ContabilidadeMQ (clique aqui), para não perder nada.

Eu dividi o post da seguinte forma:

  1. Overview minha sobre a prova;
  2. Posts das redes sociais, com as perguntas originais e alguns comentários prévios; e
  3. Perguntas agrupadas.


1 OVERVIEW SOBRE A PROVA DA APIMEC PARA ANALISTA FUNDAMENTALISTA (CNPI)

1.1 Disponibilidade de informações

A primeira dificuldade que uma pessoa que está estudando para a prova irá se deparar é encontrar conteúdo gratuito e estruturado na internet, e até mesmo materiais pagos e bem estruturados. 

Essa é uma prova bem específica e a demanda não parece ser muito grande (em 23/03/2018 existiam 452 profissionais certificados), o que inviabiliza o desenvolvimento de materiais em grande escala.

Além disso, a APIMEC não disponibiliza as provas anteriores, justamente pelo custo de produção da prova. Como são poucas pessoas se inscrevendo, o custo de elaborar várias provas por ano seria muito alto e a inscrição da prova acabaria sendo ainda mais cara. 

A solução que eu pensei para que a prova fosse disponibilizada é que as provas fossem realizadas de forma semelhante aos concursos públicos e vestibulares, em uma data específica, porém isso faria com que o processo demorasse demais para ser finalizado e os futuros analistas teriam que esperar muito mais para poder ingressar no mercado.

Eu fui fazer a prova sem realmente saber muito o que esperar das questões. Fui até surpreendido com o nível de dificuldade (comentarei mais sobre isso no vídeo e nos próximos tópicos).

1.2 Qualidade das questões

Aprova, em geral, é bem simples e com questões bem diretas. Os elaboradores não buscavam ficar colocando pegadinhas e nem questões difíceis de entender, porém em alguns casos eu achei que as questões eram muito mal elaboradas.

Até erro de português eu encontrei, o que não deve ser aceitável de jeito nenhum... mas às vezes acontece.

Eu lembro de uma questão sobre o Modelo de Gordon (falarei mais sobre isso na concentração de questões em poucos assuntos) que, dependendo da interpretação, poderia ter 3 respostas. 

E as 3 faziam sentido!

Eu tive que usar a imaginação para tentar pensar no que o elaborador da questão estava pensando quando a escreveu. Espero tê-la acertado, já que não temos como anotar o gabarito, nem ter acesso às questões depois. Todavia, você concorda com isso quando faz a prova...


1.3 Nível de dificuldade das questões

Se eu tivesse que classificar a prova em algo entre fácil, médio e difícil, diria que ela é de fácil para médio. As questões são bem tranquilas e diretas, apesar de alguns problemas pontuais como os citados anteriormente.

A dificuldade da prova está na quantidade de conteúdo.

É assunto demais!!

Caíram muitas questões, na prova de Conteúdo Brasil (que foi a que achei mais "difícil"), "decoreba": saber número de Instrução CVM, saber datas e coisas desse tipo.

Mas como a certificação é para profissionais graduados, se você é bacharel em contabilidade, administração ou economia, e fez um bom curso, não terá muita dificuldade na prova de Conteúdo Brasileiro. Comento sobre isso no tópico específico.

1.4 Concentração de questões em poucos assuntos

Há uma concentração muito grande de questões em poucos assuntos. Isso é bom para você planejar os estudos.

Por exemplo, no meu caso foram 4 ou 5 questões usando o Modelo de Gordon. Não lembro exatamente porque infelizmente não pude anotar. Mas acho que foram 2 ou 3 na prova de Conteúdo Brasil e mais 2 na prova de análise fundamentalista. 

Estude Modelo de Gordon porque vai cair. Caíram questões desde a aplicação direta da fórmula a uma mistura que fizeram com uma questão sobre o múltiplo Preço/Lucro (P/L ou P/E).

No nosso canal do Youtube tem alguns vídeos sobre esse assunto, veja abaixo:

Demonstração da fórmula do Modelo de Gordon:



Aplicação do Modelo de Gordon em valuation:



Exercício resolvido sobre o Modelo de Gordon:


Outra coisa que é certa e que caíram acho que 3 ou 4 questões: elasticidade, na prova de Conteúdo Brasileiro.

Na prova de fundamentalista caiu muita coisa sobre fluxo de caixa livre, como era de se esperar.

Boa parte dos assuntos da prova de análise fundamentalista já podem ser encontradas em nosso canal do Youtube. Muitos deles estão organizados nas Playlistas de Finanças 1 e Valuation, inclusive.


1.5 Especificamente sobre a primeira etapa: Conteúdo Brasileiro

A ordem das provas é você quem decide. Eu decidi fazer Conteúdo Brasileiro (CB) primeiro e depois fazer a prova de Análise Fundamentalista (CG1).

Por que eu fiz isso? Eu não parei um tempo para estudar para a prova. Eu não tenho interesse de trabalhar como analista, vendendo relatórios. Eu sou Professor e gostaria de poder falar das empresas que eu quisesse aqui no blog e no canal ContabilidadeMQ sem ter problema com a APIMEC.

Então verifiquei quais eram os conteúdos da prova e percebi que quase todo o assunto da CG1 era assunto das minhas disciplinas de Finanças 1 (materiais aqui e aqui), Finanças 2 (materiais aqui e aqui) e Finanças 3 (materiais aqui e aqui), e a outra parte da CG1 era assunto de contabilidade, que é o curso que eu tenho graduação, mestrado e doutorado (apesar de que não dou aula de contabilidade pura há muitos anos), logo seria mais fácil de passar. Porém a prova era mais cara.

A prova CB era um conteúdo que eu já havia estudado em disciplinas da minha graduação em contabilidade, por exemplo economia e mercado financeiro. Além disso, durante a graduação eu queria ser bancário.

Por isso eu estudei para dois concursos do Banco do Brasil (no segundo ficou faltando duas pessoas para eu ser chamado, se tivesse sido chamado não estaria aqui hoje). Quando vi o conteúdo da prova, pensei: sabia que aquele estudo para o concurso serviria para algo!

Então fui na fé fazer a prova, confiando no que eu estudei na graduação (entre 2007 e 2010) e nos concursos para o Banco do Brasil (acho que entre 2009 e 2010).

Deu certo, mas não recomendo que façam isso. Eu lembrei de muita coisa, mas tinha muita coisa de normas, características específicas de produtos financeiros e Instruções CVM que eu não lembrava.

O conteúdo também é muito parecido com outras certificações, como a CPA 20, que tem muito material gratuito disponível na internet. Estudem por esses materiais de concurso de Banco também que não tem erro.

Eu tenho um lastro razoável de estudos sobre o assunto da prova de Conteúdo Brasileiro e convivência diária com o mercado financeiro. Uma pessoa recém formada e com pouca experiência provavelmente não terá. Então é bom estudar bem e fazer vários simulados e resolver questões de concurso.

A prova é fácil, mas precisa ter estudado o assunto antes.

Eu também achava que cairiam mais questões de matemática financeira e estatística. Caiu quase nada.

1.6 Especificamente sobre a segunda etapa: Análise Fundamentalista

Sobre a CG1, de análise fundamentalista, eu já divulguei no tópico anterior alguns materiais que temos aqui no blog.

A prova envolve finanças corporativas, valuation, análise de balanços e contabilidade pura.

Caiu muita coisa de fluxo de caixa livre, muita coisa de custo do capital (próprio, de terceiros e WACC), algumas coisas de múltiplos etc.

Na parte de contabilidade, caíram algumas questões relacionadas a normas contábeis puras, questões relacionadas a lançamentos contábeis (entender débito e crédito, ativo, passivo e PL), mas a prova é bem básica - pelo menos para quem é contador. Quem não é contador e estudou qualquer livro básico de contabilidade conseguirá desenrolar com tranquilidade.

Ah, não esqueçam de estudar a estrutura conceitual básica da contabilidade.

Para a parte de contabilidade pura, se você não é contador, recomendo que estude pelo livro do Professor José Elias Feres de Almeida. Ele tem uma linguagem boa para não contadores. Clique aqui para ter acesso ao Fundamentos de Contabilidade para Negócios.

Para a parte de análise das demonstrações contábeis, eu recomendo o livro Análise Avançada das Demonstrações Contábeis, dos Professores Eliseu Martins, Josedilton Diniz e Gilberto Miranda. Clique aqui para ler a resenha que escrevi sobre esse livro.

Para a parte de finanças em geral eu recomendo o livro que também é recomendado pela banca que elaborou a prova: Administração Financeira, de Ross, Westerfield, Jaffe e Lamb (autor brasileiro que fez adaptações no livro traduzido com coisas específicas do Brasil). O livro é muito didático é ele que eu uso com os meus alunos.

Para a parte específica de valuation, o recomendável seria o livro do Professor Aswath Damodaran, Investment Valuation, porém se você for estudar todos esses livros que eu recomendei acima, levará o mesmo tempo para estudar o livro de Damodaran. Ele é muito grande e mais denso do que o de Administração Financeira, que é voltado para aluno de graduação.

Talvez a melhor saída para estudar valuation para a prova (e não para a vida) seja estudar valuation por algum livro de finanças que tenha alguns capítulos de valuation. Ou pegar o livro Avaliação de Empresas (Damodaran on Valuation, em inglês) do próprio Damodaran, que é uma versão resumida do livro principal.

Recomendo também que assistam aos vídeos da nossa playlist sobre valuation.

Aqui está o primeiro vídeo da playlist, sobre custo do capital próprio - vários outros assuntos que caem na prova já têm vídeos lá no canal:








2 POST COM AS PERGUNTAS ORIGINAIS NAS REDES SOCIAIS


Aqui estão os posts com as perguntas originais e logo abaixo eu coloquei as perguntas selecionadas de uma forma mais organizada, para que eu possa usar esse post como script para fazer o vídeo.


Post do Twitter:




Post do Facebook:


Post no Instagram:









2 PERGUNTAS FEITAS ABERTAMENTE NAS REDES SOCIAIS OU POR MENSAGENS PRIVADAS

2.1 Perguntas em geral sobre a certificação

2.1.1 Por que fazer essa certificação, qual é o custo, como se preparar e qual das 3 "variações" do CNPI eu tirei com essas duas provas? (Rogiene Batista, minha amiga da Bahia que está fazendo doutorado na USP-RP, pelo Messenger do Facebook)

Lá em cima, no início do post, eu coloquei um link para um vídeo que trata do porquê de ser CNPI. Recomendo que vejam esse vídeo. Clique aqui.

Mas em resumo, se você quer trabalhar como analista de equity research, você precisa ter o CNPI para divulgar as suas recomendações e análises sobre as empresas.

Sobre como se preparar, eu já comentei lá em cima - e terá um tópico específico aqui embaixo sobre isso.

Eu fiz a CG1 e a CB, conforme mencionei lá em cima na overview. Elas me dão direito a ser CNPI fundamentalista. Quando (e se) eu der entrada no meu registro eu poderei analisar empresas usando técnicas fundamentalistas e divulgar as minhas análises.

O custo, no meu caso, foi R$ 520,00 para a CB e R$ 695,00 para a CG1. Caso você seja associada da APIMEC, há um desconto de 25%.


2.1.2 Para ser CNPI-T tem que ser CNPI fundamentalista antes? (Lucas Santos, pelo Facebook)

Não precisa ser CNPI fundamentalista para ser técnico. São certificações independentes. Para ser CNPI-T você precisa fazer a prova CB e a CT1.

Há uma terceira possibilidade, que é o analista CNPI-P. O P quer dizer "pleno" e é destinado àqueles que querem usar as duas escolas de análises, técnica e fundamentalista.

2.1.3 Paga anuidade, quanto custa, a prova é extensa e quantas vezes ocorre no ano? (Elizeu Maniçoba, pelo Instagram)

A taxa é paga trimestralmente. A última informação que eu encontrei no site da APIMEC é que custa R$ 210,00 por trimestre (eu ainda não cheguei nessa etapa, apenas passei na prova), mas Thiago Salomão (Editor-Chefe do Infomoney) me informou que hoje a trimestralidade é de R$ 239.

A prova é bem curta. São 60 questões bem simples para se resolver em 2 horas. São 60 na CB e mais 60 na CG1. A CB eu fiz em pouco mais de 1 hora e a CG1 eu fiz em aproximadamente 1h30.

A prova ocorre várias vezes ao ano e online, sendo aplicada em algum local específico em várias cidades do Brasil. Quando for fazer a inscrição você escolhe o dia e o local.


2.2 Como se preparar para a prova


2.2.1 Sugestões de livros para estudar para a prova? (várias pessoas me pediram isso)

Na overview eu já inseri algumas sugestões de livros para a prova específica de análise fundamentalista. Com aqueles livros vocês conseguem resolver os seus problemas.

Mas se tiverem disponibilidade financeira para comprar algumas apostilas e simulados, isso pode dar uma ajuda para a prova... mas não muito para a vida.

Adicionalmente aos livros do Professor Eliseu, José Elias, Ross e Damadoran, recomendo que procurem pelos meus materiais de aula aqui no blog. No topo do blog tem um botão para as minhas disciplinas, em que vocês podem encontrar todos os meus materiais de aula. Além disso, podem procurar no meu SlideShare, cujo link fica do lado direito do blog. Além dos vídeos no nosso canal do Youtube também.

Além disso, vou complementar algumas coisas que eu já disse na overview. Eu não esperava, mas caíram algumas questões relacionadas à normatização contábil baseada em regras e princípios. Isso pode parecer uma pegadinha para quem não é contador da era pós-IFRS.

Recomendo que leiam o artigo "Algumas Questões sobre a Normatização Contábil Baseada em Regras, Princípios e Objetivos", de autoria de Edilson Paulo (Professor da UFPB), Nelson Carvalho (Professor da USP e membro do CA da Petrobras) e eu figurando entre eles. Clique aqui para ter acesso ao artigo.

Como eu disse antes, talvez seja exagero estudar o livro principal de Damodaran para fazer a prova. Porém para a vida como analista eu recomendo que estude profundamente o Investment Valuation. Mas para revisar, qualquer livro bom de finanças que tenha alguns capítulos de valuation resolverão o teu problema, de REVISÃO DO CONTEÚDO.

O mesmo eu digo para a prova de CB. Pode ser exagero ler aqueles livros enormes de mercado financeiro que o pessoal usa para estudar para concurso. Mas se quiser aprender realmente, terá que estudar por eles. Se quiser revisar para a prova, recomendo apostilas de concurso de banco e apostilas de CPA 20. Além de estudar as Instruções CVM e código de ética do analista.

No site onde vocês fazem a inscrição eles disponibilizam um manual do candidato com outras sugestões de livros e o detalhamento do conteúdo. Clique aqui.


2.2.2 Fez algum curso preparatório? (Ramon Quintanilha, Kaio Valverde, no Facebook, David Feitosa, pelo Twitter, e Leonardo Ebling, pelo Instagram)

Não fiz. Mas como comentei na overview, eu tinha um lastro muito extenso de estudo nessa área desde a graduação quando cursei disciplinas relacionadas à CB e estudei para concursos de bancos, como após a graduação no mestrado, doutorado e preparando aulas, além de ter a experiência com investidor desde 2009.

Pensando bem, a minha vida toda após o ensino médio eu me preparei para essa prova. Venho me preparando para ela desde 2007 sem saber. Porém eu não fiz um curso para revisar os conteúdos.

Quem está há muito tempo sem estudar e não consegue estudar sozinho, recomendo que pense nessa possibilidade. É melhor pagar algo e passar, do que tentar fazer a prova, não passar e perder o dinheiro.

Esses cursos preparatórios já têm a "manha" das provas e te farão estudar de forma eficiente para PASSAR NA PROVA. Aprender o assunto para aplicar na prática eu já não sei, mas até onde sei os cursinhos preparam você para fazer a prova e passar, nada mais que isso.


2.2.3 Como treinar para a prova? (Talison Ruan, no Facebook, e David Feitosa, no Twitter)

Existem alguns simulados na internet que vocês podem praticar.

Para quem consegue estudar sozinho, essa talvez seja a melhor opção de reduzir o risco. Você estuda só e paga por alguns simulados. Sairá mais barato do que fazer um curso.

Para a parte específica da prova CB é bem mais fácil conseguir simulados gratuitos na internet, até pegando provas de concurso de banco


3 Pretende abrir uma research? (Avelino Gândara, Facebook)

No momento eu não tenho interesse. Sou Professor e é isso que gosto de fazer, no momento!

Acredito que já existam muitos researchers bons no mercado - e muitas ruins também. Ano passado nós fizemos uma visita técnica junto com alguns alunos meus. Passamos uma tarde inteira na Eleven, por exemplo, conversando com Carlos Herrera; tivemos um almoço com Marco Saravalle, da XP, conversamos com Thiago Salomão, da XP, e com Tiago Reis da Suno. Meus alunos também conversaram um pouco com Raphael Figueiredo - eles gostam de análise técnica e são fans dele.

Mas o interesse foi totalmente acadêmico, para melhorar como Professor do assunto.

Enquanto eu gostar de ser Professor (apesar de não gostar das outras coisas que vêm com isso), serei Professor. Mas pretendo divulgar as análises que já fazemos na UFPB, foi esse um dos motivos que resolvi fazer a prova.

Vocês podem acompanhar uma parte desse trabalho, por exemplo, no blog da Sala de Ações - clique aqui, aqui no meu blog e no canal do youtube.







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